Tribunal de Justiça do RN identificou comando oculto em laudo pericial | Foto: Reprodução
Texto invisível em laudo apresentado à Justiça orientava uma ferramenta de inteligência artificial a concordar com as conclusões do perito; caso foi comunicado ao MP e ao CNJ
Publicado 11 de setembro de 2026 às 13:57
Um comando escondido em um laudo pericial apresentado à Justiça foi identificado pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN). O texto não aparecia na leitura convencional do documento e orientava uma ferramenta de inteligência artificial a concordar com as conclusões do perito.
O episódio foi relatado pela juíza convocada Érika de Paiva Duarte Tinôco durante o julgamento da 3ª Câmara Cível do TJRN. Segundo a magistrada, um advogado alertou o gabinete sobre o conteúdo oculto. O gabinete fez testes e confirmou a existência da instrução.
O recurso é conhecido como “prompt injection”: comandos inseridos em um conteúdo para tentar direcionar a resposta de uma ferramenta de inteligência artificial.
O episódio chama atenção também porque ferramentas de inteligência artificial podem ser usadas por magistrados como apoio na análise de documentos. Segundo a magistrada, um comando para que a ferramenta concordasse com o perito poderia “desvirtuar completamente o trabalho do julgador”.
No caso específico, porém, a juíza afirmou que a instrução não interferiu na decisão. Ela explicou que já havia preparado o voto e que sua análise já fazia críticas à perícia antes de qualquer uso de inteligência artificial.
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Diante do episódio, o TJRN determinou a preservação do arquivo original e o envio de ofícios ao Instituto Brasileiro de Atuária, à Presidência e à Corregedoria do Tribunal. Peças do processo também foram encaminhadas ao Ministério Público, e o caso foi comunicado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O caso também está relacionado às regras da Resolução CNJ nº 615/2025, que classifica como de alto risco o uso de inteligência artificial na valoração de provas e prevê supervisão humana pelo magistrado.
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