Governo do RN amplia equipe de transição para 21 membros; confira os novos nomes - Sandro Menezes/Assecom
Auditor fiscal assume o Executivo do RN em 2027 com foco no ajuste fiscal sem aumento de impostos, negociação de aportes federais para a Terceira Ponte sobre o rio Potengi e ampliação da base política
Publicado 30 de outubro de 2026 às 14:21
Eleito no segundo turno com mais de um milhão de votos, o auditor fiscal Carlos Eduardo Xavier (PT), conhecido na campanha como Cadu de Lula, iniciará em 1º de janeiro de 2027 mandato de quatro anos à frente do governo estadual. Passada a euforia da vitória, o novo chefe do Executivo potiguar já definiu as primeiras metas da gestão: reequilíbrio das contas públicas, diálogo institucional com os Poderes e atração de recursos federais para destravar grandes obras de infraestrutura.
Apesar de ter contado com a articulação e o apoio da governadora Fátima Bezerra (PT) em sua campanha, Cadu afirmou que o novo mandato terá “DNA próprio” e rejeitou o rótulo de mera continuidade administrativa.
Para assegurar governabilidade, o governador eleito pretende montar uma composição mais ampla na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN), admitindo indicações de partidos aliados na equipe de governo, desde que subordinadas a três critérios: honestidade, capacidade técnica e sensibilidade social. Em contrapartida, os postos de comando financeiro e de controle do Estado não entrarão em negociações partidárias.
Cadu adiantou que escolherá nomes de sua estrita confiança para formar um núcleo duro nas secretarias de Fazenda, Administração e Casa Civil.
Com a experiência de 21 anos como servidor público estadual, Cadu elencou a sustentabilidade financeira como obstáculo urgente. Uma de suas metas centrais é elevar a nota do Estado na Capacidade de Pagamento (Capag) — indicador do Tesouro Nacional que avalia a saúde fiscal e autoriza empréstimos garantidos pela União — da categoria C para a B em até dois anos. O petista descartou aumentos na carga tributária e afirmou que o crescimento da receita virá do avanço de cadeias econômicas em alta, como energias renováveis, mineração, fruticultura irrigada, exploração petrolífera terrestre e turismo.
Ele também destacou a necessidade de preparar o Fisco estadual para o período de transição da reforma tributária nacional, que reconfigura as regras do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), tributo impactado em 2022 por cortes nas alíquotas de combustíveis, energia e telecomunicações
Na contenção de despesas, Cadu apontou que o déficit previdenciário do Rio Grande do Norte consome cerca de R$ 200 milhões por mês. Para equilibrar essa conta, o futuro governador defendeu um pacto com os Poderes, propondo que o Tribunal de Justiça (TJRN), o Ministério Público (MPRN) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) ampliem sua contribuição patronal à Previdência estadual. Ele também defendeu um debate sobre a remuneração de gestores públicos estratégicos para reter talentos técnicos, citando como defasado o salário de R$ 5 mil pago à direção do Hospital Walfredo Gurgel.
No plano de desenvolvimento regional, o futuro governador destacou que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — que obteve 65% dos votos no estado no segundo turno — será estratégica para financiar intervenções com verbas federais e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A principal promessa de campanha de Cadu é a construção da terceira ponte sobre o Rio Potengi, em Natal, orçada entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões. A previsão apresentada é entregar a ponte no intervalo dos quatro anos de mandato, condicionada ao aporte financeiro do Palácio do Planalto.
O petista também estipulou a meta de concluir, até 2030, a duplicação total da BR-304, no trecho entre a Reta Tabajara (Macaíba) e Mossoró.
Na saúde, o plano inclui a criação de Centrais Regionais de Diagnóstico por Imagem e a utilização de consultas via telemedicina, além da conclusão das obras do Hospital Metropolitano, que será erguido em Parnamirim.
Na educação, o objetivo é posicionar a rede estadual entre as dez melhores do país no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) até 2030. Em 2025, o ensino potiguar atingiu a 18ª colocação nacional, seu patamar mais alto na série histórica.
Cadu de Lula também agradeceu à governadora Fátima Bezerra pela vitória. “Eu estou muito feliz porque eu ganhei, nós ganhamos e eu não larguei a mão de Fátima em nenhum momento. Nem ela largou a minha mão. A gente veio junto até aqui. Essa vitória é sua também”, declarou.
A continuidade do PT no governo estadual, após oito anos de gestão de Fátima Bezerra, abre espaço para manter a linha política adotada nesse período, embora a nova gestão tenha desafios próprios. Cadu prometeu avançar no legado da governadora, mas terá de transformar as promessas de campanha em ações concretas, especialmente nas áreas de saúde, educação e desenvolvimento econômico. Os próximos quatro anos serão marcados, portanto, pela necessidade de responder às demandas cotidianas da população e, ao mesmo tempo, criar condições para ampliar investimentos e a geração de empregos.
“Eu não larguei a mão da Fátima em nenhum momento. Nem ela largou a minha mão; nós viemos juntos até aqui. Essa vitória é dela também, e eu sou muito grato. É uma missão que Deus colocou na minha vida — talvez, há poucos anos, eu nunca imaginasse que isso fosse acontecer. Mas, se aconteceu, é porque é uma missão de Deus, e eu confio em todo o meu compromisso e no meu trabalho para o povo do nosso estado. É isso, muito obrigado, vamos à luta e vamos trabalhar pelo nosso povo”, disse.
A aproximação com Lula foi um dos principais elementos da estratégia eleitoral. A participação do presidente no ato de 10 de outubro reforçou a aliança entre os dois projetos políticos, e Cadu apresentou a parceria com o governo federal como caminho para ampliar investimentos e executar obras consideradas estratégicas.
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