Flávio Bolsonaro é candidato à Presidência pelo PL | Foto: Reprodução

Política

ELEIÇÕES 2026 Ex-sócio revela Rolex de R$ 305 mil, festas e suposto lobby de Flávio Bolsonaro com Kassio Nunes no STF

Reportagem do PlatôBR reúne mensagens, fotos e documentos guardados pelo ex-sócio Alexandre Santini e relata presentes de luxo, festas privadas e uma suposta atuação de Flávio em favor de um cliente junto ao ministro do STF

por: NOVO Notícias

Publicado 29 de setembro de 2026 às 13:55

Mensagens, documentos, fotos e outros registros mantidos por um ex-sócio de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, mostram como era a relação entre os dois antes de uma disputa financeira que terminou em cobranças e ameaças. Entre os episódios descritos pelo PlatôBR estão festas com garotas de programa, a compra de um Rolex de R$ 305 mil por um advogado próximo a Flávio e uma suposta tentativa de intermediar os interesses de um cliente junto ao ministro Kassio Nunes Marques, do STF.

O material foi reunido por Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-amigo e ex-sócio de Flávio em uma loja da Kopenhagen no Rio de Janeiro. Os dois romperam após a eleição de 2022, quando Santini passou a cobrar valores que dizia ter a receber. Em setembro de 2023, ele chegou a cobrar R$ 1,4 milhão de Flávio por meio de uma notificação extrajudicial.

Segundo a reportagem, Santini guardou mensagens e documentos trocados quando os dois ainda eram próximos. Ele afirma que, durante anos, cuidou de despesas e tarefas que Flávio não queria assumir diretamente.

O ex-sócio era da cozinha de Flávio e, no período em que foram amigos, se aproximou de outros integrantes do clã Bolsonaro | Foto: Reprodução

Festas e crise no casamento

Um dos episódios envolve mensagens trocadas entre Santini e uma agenciadora de garotas de programa. Nas mensagens, o ex-sócio combina encontros com mulheres e menciona a participação de Flávio, a quem chama de “meu filho”.

Em uma das mensagens, Santini pede à mulher que organize uma festa com três garotas e afirma que o encontro deveria ser sigiloso porque ocorreria durante o período eleitoral. O Grand Hyatt, na Barra da Tijuca, no Rio, é citado entre os locais dos encontros.

Santini também levou fotos e mensagens para Fernanda Bolsonaro, esposa de Flávio. Segundo a reportagem, o episódio provocou uma crise no casamento.

A varanda do Grand Hyatt, na Barra da Tijuca, em foto tirada por Santini no dia de um dos encontros privês, no começo de 2022. | Foto: Reprodução/PlatoBR

Em uma mensagem enviada posteriormente ao ex-sócio, Flávio afirmou ter se arrependido de “muitas escolhas erradas” e disse que não voltaria a errar com a família. O conteúdo da mensagem, segundo o PlatôBR, foi preservado por Santini.

Rolex de R$ 305 mil

Os registros também mostram outros presentes de alto valor que, segundo a reportagem, foram destinados a Flávio. Um dos casos envolve um Rolex Submariner Date de ouro branco, comprado em 10 de fevereiro de 2022 por Alan Belaciano, advogado e amigo de Flávio. A nota fiscal está em nome de Belaciano e registra o valor de R$ 305 mil.

Relógio Rolex em ouro branco, da linha Submariner Date. | Foto: Reprodução/PlatoBR

Segundo mensagens e documentos obtidos pela reportagem, o advogado pagou pelo relógio, que seria destinado a Flávio. Belaciano também teria pago mais de R$ 90 mil em equipamentos de academia para uma casa comprada por Flávio em Brasília por R$ 5,9 milhões.

À época, Flávio afirmou que os equipamentos haviam sido adquiridos por um amigo como um “empréstimo pessoal” que ele estaria pagando. Também são citadas despesas com reparos na residência, uma televisão de 75 polegadas e mensalidades de academia, atribuídas a pessoas próximas de Flávio.

Pressão chegou ao gabinete de Kassio

Outro episódio citado na reportagem envolve o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No fim de 2023, após tentativas frustradas de acordo, Santini enviou uma mensagem ao senador mencionando um suposto contato dele com Kassio. Segundo Santini, o objetivo seria tratar dos interesses de um cliente que tinha um processo no gabinete do ministro.

Segundo o ex-sócio, Alan Belaciano também estaria envolvido no episódio. Santini afirmou ainda que teria sido marcado um jantar na casa de Flávio com a participação do chefe de gabinete do ministro. Na mensagem, Santini escreveu que Flávio teria “intermediado um cliente em um processo”. Em seguida, advertiu o senador de que o episódio poderia gerar problemas.

Poucas horas depois, Flávio respondeu propondo uma reunião em seu gabinete: “Terça às 15h no meu gabinete ok”, segundo a reportagem. O conteúdo do que foi tratado entre os dois não foi divulgado. Depois do encontro, Santini informou a pessoas que haviam recebido parte do material que considerava a disputa encerrada.

Disputa começou na loja de chocolates

A relação entre Flávio e Santini começou no início dos anos 2000, no Rio de Janeiro. Os dois se tornaram amigos próximos e, posteriormente, sócios de uma franquia da Kopenhagen na Barra da Tijuca. A loja também apareceu nas investigações sobre o suposto esquema de rachadinha no gabinete de Flávio, quando ele ainda era deputado estadual no Rio.

O Ministério Público do Rio investigou a empresa no contexto da apuração sobre um suposto esquema envolvendo salários de funcionários. O caso teve desdobramentos judiciais e acabou arquivado, conforme registra a reportagem. Depois do fechamento da loja, a relação entre os dois se desgastou. Santini passou a cobrar valores que dizia ter a receber e, segundo a reportagem, ameaçou revelar informações sobre Flávio.

Em uma publicação nas redes sociais, afirmou ter provas que, segundo ele, poderiam levar o senador à prisão. Em outro momento, segundo o PlatôBR, chegou a dizer em uma gravação: “Se eu quiser, eu ponho o Flávio na cadeia. Com o que tenho na mão, ele vai preso. Sei tudo da vida dele”.

Hoje, o ex-sócio faz campanha para Flávio como se nada tivesse acontecido. “Sou e sempre serei FLAVIO BOLSONARO”, diz a bio de seu perfil, assim mesmo, com o nome do candidato do PL ao Planalto em letras garrafais.

Relações com Queiroz e aliados

A relação de Santini com o grupo de Flávio também o aproximou de Fabrício Queiroz e Frederick Wassef. Mensagens mostram Queiroz recorrendo a Santini para pedir ajuda financeira e enviar cobranças a Flávio. Em um dos áudios reproduzidos em reportagem anterior, Queiroz reclama de dificuldades financeiras e afirma que as “migalhas” que recebia dos Bolsonaro não eram suficientes para resolver sua situação.

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Santini também manteve conversas com Wassef. Nas mensagens, segundo a reportagem, o advogado atribuiu a si um papel importante na decisão do STF que anulou relatórios do Coaf usados nas investigações sobre as rachadinhas.

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