Em discurso na ONU, Lula defende soberania, multilateralismo e alerta contra "ingerência externa"

Política

Discurso Em discurso na ONU, Lula defende soberania, multilateralismo e alerta contra “ingerência externa”

Presidente brasileiro ressaltou necessidade de cooperação internacional, defendeu a agenda ambiental do país e rejeitou influências externas em eleições nacionais

por: NOVO Notícias

Publicado 22 de setembro de 2026 às 11:32

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou a importância do multilateralismo, a defesa da soberania nacional e o princípio de não interferência em assuntos internos de outros países em seu discurso de abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizado nesta terça-feira. Seguindo a tradição diplomática estabelecida desde 1955, coube ao Brasil inaugurar a série de pronunciamentos de chefes de Estado, sendo sucedido na tribuna pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Em seu discurso no plenário principal do órgão deliberativo que congrega os 193 Estados-membros, Lula abordou a necessidade de os países efetuarem uma escolha geopolítica consciente: “Este Conselho agora deve se debruçar sobre temas determinantes sobre o futuro da humanidade. Somos chamados a optar entre o multilateralismo e o unilateralismo. Soberania ou subordinação?”, declarou o presidente.

O mandatário brasileiro também reforçou o posicionamento de autonomia de política externa: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para maior integração entre vizinhos. A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais”, acrescentou.

Tensão nas relações Brasil-Estados Unidos

O tom do discurso reflete um momento de tensão diplomática em curso nas relações bilaterais entre o Brasil e os Estados Unidos. O cenário político é atravessado pelo calendário eleitoral brasileiro, cuja eleição presidencial está marcada para 4 de outubro. Lula disputa o pleito presidencial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que, em maio, foi recebido formalmente pelo presidente Donald Trump na Casa Branca, em Washington.

As falas sobre “ingerência externa” convergem com o que membros do governo brasileiro têm manifestado em reuniões de bastidores, rejeitando qualquer tentativa de interferência dos EUA na eleição e sublinhando que a escolha presidencial cabe exclusivamente ao eleitorado brasileiro. A disputa entre as nações é agravada ainda pela decisão recente do governo Trump de impor tarifas adicionais de comércio internacional sobre produtos brasileiros, ação que vem sendo ativamente contestada pelo Palácio do Planalto.

Pauta ambiental, transição energética e inovação

No segmento ambiental, Lula assegurou à comunidade internacional que o Brasil é capaz de conciliar o desenvolvimento econômico da indústria e do agronegócio com o compromisso de redução de emissões e preservação dos biomas nativos. O presidente enfatizou a queda nas taxas oficiais de desmatamento da Amazônia, defendeu que “a floresta vale mais em pé” e exaltou o país como referência global em matriz de energia limpa.

No entanto, o presidente afirmou que o país manterá de forma autônoma os seus planos de prospecção e exploração de recursos naturais — citando expressamente os poços petrolíferos da Margem Equatorial e o mapeamento de terras raras essenciais à transição tecnológica —, argumentando que a riqueza do solo é um ativo econômico do povo brasileiro que deve ser revertido em benefício social sem abandonar o processo contínuo de descarbonização.

Ao longo do pronunciamento na ONU, o presidente brasileiro também cobrou maior integração no combate internacional ao crime organizado e a facilitação de negociações de paz em conflitos armados, defendeu uma regulação global e responsável do uso de inteligência artificial (IA) e apresentou iniciativas brasileiras no setor financeiro, como o modelo de transações instantâneas (PIX).

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