Morre o jornalista e escritor Zuenir Ventura aos 95 anos no Rio de Janeiro
O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu na manhã desta terça-feira (22), aos 95 anos, em sua residência, em decorrência de um quadro de pneumonia. A informação foi confirmada por meio de nota oficial divulgada pela Academia Brasileira de Letras (ABL). Ventura deixa a esposa, Mary Ventura, e dois filhos, o jornalista Mauro Ventura e a editora Elisa Ventura.
Em mais de seis décadas de atuação na imprensa nacional, Zuenir Ventura construiu uma trajetória profissional marcada pelo aprofundamento analítico e reportagens investigativas sobre os principais acontecimentos políticos, sociais e culturais da história recente do Brasil.
Em 1988, Zuenir Ventura lançou o livro “1968 – o ano que não terminou”. A obra serviu também de inspiração para a minissérie “Os anos rebeldes”, produzida pela TV Globo.
Zuenir venceu os dois maiores prêmios de jornalismo do Brasil: o Prêmio Esso e o Vladimir Herzog – cujo troféu foi entregue pela viúva de Vlado, amigo assassinado durante a ditadura. Em 2008, ele recebeu da ONU um troféu especial por ter sido um dos cinco jornalistas que “mais contribuíram para a defesa dos direitos humanos no país nos últimos 30 anos”.
O velório será realizado na quarta-feira (23) na sede da Academia Brasileira de Letras, e o sepultamento ocorrerá no mausoléu da instituição, localizado no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro.
Zuenir Ventura ocupava a Cadeira nº 32 da Academia Brasileira de Letras. A eleição e a posse como “imortal” da instituição literária ocorreram no final de 2014, quando o jornalista foi escolhido para suceder a cadeira deixada pelo escritor e dramaturgo Ariano Suassuna.
Natural da cidade de Além Paraíba, no interior de Minas Gerais, Zuenir acumulou experiências diversas antes de ingressar de forma definitiva no mercado jornalístico, tendo atuado como pintor de paredes, office-boy, jogador de basquete amador, arquivista e professor universitário.
Durante sua formação acadêmica, teve como mestres literatos consagrados, como Manuel Bandeira, Alceu Amoroso Lima e Cleonice Berardinelli. O vínculo com alguns de seus professores viabilizou suas primeiras inserções profissionais no Rio de Janeiro. A convite do professor de Jornalismo Celso Cunha, ministrou aulas de Língua Portuguesa; sob indicação de Hélcio Martins, conseguiu seu primeiro emprego formal na imprensa nacional, atuando inicialmente no arquivo do jornal carioca Tribuna da Imprensa.
A morte de Zuenir Ventura gerou imediata comoção e manifestações de pesar nos meios jornalístico e artístico. O colunista do jornal O Globo, Ancelmo Gois, lamentou o falecimento do amigo de redação: “Foi um mestre, um amigo. Nós perdemos muito. Muito triste”, declarou. A atriz e escritora Fernanda Torres também prestou solidariedade à família por meio de uma publicação em suas redes sociais, exaltando a “imensidão” da figura intelectual de Zuenir.
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