Porto de Natal | Foto: Sandro Menezes
Serviços iniciados em abril restauraram o calado da rota de navegação do terminal; segunda etapa prevê ampliação da bacia de manobras para receber navios de maior porte
Publicado 22 de setembro de 2026 às 08:34
A Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern) anunciou a conclusão de 100% da primeira etapa das obras de dragagem do Porto de Natal. Iniciados em 24 de abril de 2026, os serviços consistiram na retirada de cerca de 1,2 milhão de metros cúbicos de sedimentos acumulados no canal de acesso, restituindo o calado (profundidade operacional da via de navegação) do terminal pesqueiro e de cargas de 10,5 metros para a marca de 12,5 metros de profundidade.
Com a restauração da profundidade total da via, a administração portuária aguarda a aprovação do licenciamento ambiental para dar início à segunda fase da obra: a adequação técnica da bacia de evolução. Essa área, adjacente aos cais de atracação, é o espaço hídrico onde as embarcações realizam as manobras seguras de aproximação, retorno e saída do terminal.
A expansão da bacia permitirá a recepção de embarcações maiores no Rio Potengi. Atualmente, o Porto de Natal opera no limite para receber navios de até 202 metros de comprimento. Após a finalização das obras na bacia de evolução, a capacidade logística de atracação será ampliada para navios com até 232 metros de extensão, o que diversificará as oportunidades de comércio internacional de cargas.
O andamento da segunda fase do projeto depende da análise do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema). A expectativa da Codern é de que os trâmites do licenciamento ambiental da bacia de evolução avancem ao longo de outubro e sejam oficializados até o fim do mês, desde que o projeto atenda a todas as condicionantes estipuladas.
O órgão ambiental informou que a administração portuária mantém o controle regular das condicionantes da licença ativa de operação. O processo de expansão requer a verificação técnica da proximidade dos serviços com as margens habitadas do Rio Potengi, como trechos do bairro da Redinha, avaliando potenciais impactos para áreas utilizadas pela população para lazer, banho e pesca de subsistência.
Antes da emissão do aval para o início das manobras de adequação da bacia, um impasse socioambiental precisa ser resolvido. Em audiência mediada pelo Ministério Público Federal (MPF), com a participação direta da Colônia de Pescadores local, foi discutida a possibilidade de que o revolvimento da areia da dragagem e as obras de ampliação afetem a rotina da pesca artesanal no estuário.
Para esclarecer a controvérsia, foi encomendado um estudo técnico em campo com prazo estipulado de 90 dias para finalização. De acordo com a Codern, os trabalhos de medição estão em andamento há cerca de 20 dias. A avaliação do Idema sobre a liberação da segunda etapa aguardará a conclusão desta análise, que indicará, com embasamento científico, se haverá prejuízos diretos à atividade econômica dos pescadores tradicionais de Natal.
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