Flávio Bolsonaro, Robson Calixto Fonseca e Maria de Fátima Bezerra Castro foram procurados pela reportagem da piauí, mas não se manifestaram. Foto: Charles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro, Robson Calixto Fonseca e Maria de Fátima Bezerra Castro foram procurados pela reportagem da piauí, mas não se manifestaram. Foto: Charles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro

Cotidiano

Peixe Flávio Bolsonaro mandou emenda parlamentar para miliciano condenado do caso Marielle Franco

Investigações complementares da PF indicam que Peixe operava na intermediação de emendas parlamentares para uma rede de ONGs ligadas ao grupo político dos Brazão, somando repasses que alcançaram R$ 268 milhões entre os anos de 2020 e 2024

por: Com informações de Breno Pires, da revista Piauí

Publicado 21 de setembro de 2026 às 17:26

O senador Flávio Bolsonaro (PL) destinou, em 2023, uma emenda parlamentar de R$ 200 mil para uma organização não governamental sediada em área de milícia no Rio de Janeiro, após solicitação direta de Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”.

As informações constam em mensagens obtidas pela revista Piauí e foram publicadas nesta segunda-feira em reportagem do jornalista Breno Pires.

Peixe foi condenado a nove anos de prisão em regime fechado sob a acusação de atuar como braço operacional da organização criminosa armada liderada pelos irmãos Brazão, apontados como mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Os registros recuperados pela Polícia Federal mostram que as tratativas começaram em 24 de outubro de 2023. Na ocasião, Peixe enviou mensagem a Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora parlamentar lotada no gabinete de Flávio Bolsonaro em Brasília, pedindo apoio financeiro para um projeto social.

Dois dias depois do contato inicial, a assessora convidou Peixe para uma solenidade oficial no Rio de Janeiro e orientou que ele levasse o então deputado federal Chiquinho Brazão para reforçar a demanda diretamente com o senador.

Em 29 de novembro de 2023, o Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), localizado no bairro da Taquara, recebeu R$ 199.999,79. O repasse originou-se da Emenda Parlamentar nº 92190012-2023, de autoria de Flávio Bolsonaro, por meio do Ministério do Esporte, para o projeto “Jogadores do Futuro”.

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O Relatório Técnico nº 1/2025 do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou irregularidades na aplicação do montante. A coordenação da iniciativa esportiva foi contratada junto a um escritório de advocacia pertencente ao próprio presidente do Ifop, José Rômulo Oliveira Alves, situação classificada pelos auditores como conflito de interesses.

A fiscalização do TCU registrou ainda ausência de concorrência e indícios de direcionamento com cotações sem qualquer redução de valores. O Ifop declarou que a contratação de pessoal próprio respeita o marco regulatório das Organizações da Sociedade Civil e comunicou que contestará as conclusões da corte de contas.

O relatório da PF também apontou indício de solicitação de vantagem indevida por parte da assessora parlamentar. Em janeiro de 2024, ela pediu a Peixe quatro ingressos para o camarote do desfile das escolas de samba campeãs. Mensagens mostram que ele obteve as entradas com terceiros, embora os autos não confirmem o recebimento final por parte da servidora.

Investigações complementares da PF indicam que Peixe operava na intermediação de emendas parlamentares para uma rede de ONGs ligadas ao grupo político dos Brazão, somando repasses que alcançaram R$ 268 milhões entre os anos de 2020 e 2024.

O nome do parlamentar já havia figurado em registros públicos com outros investigados por ligação com milícias fluminenses. Enquanto deputado estadual, Flávio Bolsonaro propôs homenagens ao ex-capitão da PM Adriano da Nóbrega, além de ter empregado a mãe e a ex-esposa do oficial em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Flávio Bolsonaro, Robson Calixto Fonseca e Maria de Fátima Bezerra Castro foram procurados pela reportagem da Piauí, mas não se manifestaram.

O Ifop informou que nunca realizou contato direto com o senador e que a captação de recursos decorre da submissão técnica de propostas aos gabinetes do Congresso Nacional.

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