Senado analisa proposta que prevê mudanças nas regras da segurança pública no Brasil | Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Proposta prevê regras penais mais rigorosas para integrantes de facções e milícias, integração entre órgãos de segurança e mudanças no financiamento do setor. Texto precisa de 49 votos em cada um dos dois turnos no Senado
Publicado 15 de outubro de 2026 às 10:28
O Senado vota nesta quinta-feira (15) a PEC da Segurança Pública, que prevê regras penais mais rigorosas para integrantes de facções criminosas e milícias, amplia as atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e estabelece novas formas de integração entre os órgãos de segurança. A votação está prevista para começar às 14h, e os senadores poderão analisar os dois turnos no mesmo dia.
Para ser aprovada, a proposta precisa de pelo menos 49 votos favoráveis em cada turno. Na noite de quarta-feira (14), os senadores aprovaram um calendário especial para acelerar a tramitação e permitir a votação sem o intervalo normalmente exigido entre os dois turnos.
A PEC prevê regras penais mais rigorosas para integrantes de facções criminosas, milícias e grupos paramilitares. Entre as medidas estão a prisão em presídios de segurança máxima, restrições à progressão de regime e a benefícios processuais, além da possibilidade de confiscar bens ligados à atividade criminosa.
O texto também prevê proteção para denunciantes e seus familiares. A proposta estabelece ainda direitos para vítimas de crimes, como proteção, acesso à informação, assistência e acesso à Justiça.
A proposta inclui o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição e prevê trabalho conjunto entre União, estados, Distrito Federal e municípios. Entre as medidas estão o compartilhamento de informações e provas, a integração de sistemas e a realização de operações conjuntas.
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Outra mudança é a ampliação das atribuições da PRF, que poderá atuar também no policiamento de ferrovias e hidrovias federais. O texto prevê ainda a possibilidade de criação de polícias municipais civis, com atuação no policiamento ostensivo e comunitário, sob regras específicas de funcionamento e controle.
O relatório do senador Rogério Carvalho (PT-SE) retirou do texto a previsão de destinar 30% da arrecadação das apostas esportivas, conhecidas como bets, aos fundos Nacional de Segurança Pública e Penitenciário Nacional.
O parecer manteve a previsão de destinar gradualmente recursos do superávit financeiro anual do Fundo Social do pré-sal à segurança pública, até alcançar 10% em 2029. A proposta também prevê proteção contra bloqueios e remanejamentos de recursos de fundos ligados à segurança, com exceções previstas no próprio texto.
A PEC precisa ser aprovada em dois turnos pelo Senado. Se os senadores alterarem o conteúdo da proposta, o texto terá de voltar à Câmara dos Deputados. Se aprovarem a mesma versão já votada pelos deputados, a matéria poderá seguir para promulgação.
As novas regras só poderão entrar em vigor após a conclusão da tramitação e a promulgação da emenda constitucional.
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