Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL | Foto: Divulgação/PL

Política

INVESTIGAÇÃO “Pode colocar o máximo que der”: conversas citadas pela PF levam a bloqueio de R$ 119 milhões de Valdemar

Decisão de Flávio Dino atendeu pedido da Polícia Federal; mensagens apreendidas em celular de ex-servidora da Câmara são apontadas como base da suspeita

por: NOVO Notícias

Publicado 10 de julho de 2026 às 14:52

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de até R$ 119,2 milhões em bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, após pedido da Polícia Federal. A medida tem como base uma investigação que apura suspeitas sobre a indicação de emendas parlamentares por alguém que não possui mandato.

Segundo a PF, diálogos encontrados no celular de uma ex-servidora da Câmara dos Deputados apontam que Valdemar teria participado da escolha de valores, municípios beneficiados e destinos de recursos públicos. Em uma das conversas citadas pelos investigadores, um assessor identificado como Garigham Amarante Pinto teria informado que iria se reunir com Valdemar para tratar de valores de emendas.

“Marquei com o Valdemar amanhã 10:30”, escreveu o assessor. Em seguida, segundo a investigação, perguntou: “Acho que ele vai jogar no turismo os 24. Pode ser?”. O número faria referência a R$ 24 milhões em emendas.

Em outro trecho, após questionamentos sobre os valores, aparece a frase: “Pode colocar o máximo que der. Ele tá querendo Turismo”, atribuída pela PF ao diálogo entre os envolvidos.

A investigação afirma que, por não ter mandato parlamentar, Valdemar não poderia fazer oficialmente indicações de emendas. Segundo a PF, os recursos teriam sido registrados formalmente em nome de deputados federais.

Emendas também foram suspensas

Além do bloqueio dos bens, Dino determinou a suspensão dos pagamentos relacionados a pelo menos 21 emendas sob suspeita, que somam R$ 119.216.703,15. Conforme a investigação, cerca de R$ 104 milhões desse valor já teriam sido pagos.

A PF chegou às mensagens após a apreensão do celular de Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, durante a Operação Transparência, deflagrada em dezembro de 2025. Ela é apontada pelos investigadores como uma das pessoas que organizavam planilhas e documentos relacionados às indicações.

Nas conversas analisadas pela PF, aparecem referências a emendas identificadas como “do Valdemar” ou “do VCN”, sigla que, segundo os investigadores, faria referência ao presidente do PL. Em uma das mensagens, Tuca questiona sobre uma planilha da Codevasf e recebe como resposta: “As do Valdemar já estamos terminando de cadastrar”.

>> Receba notícias do NOVO em tempo real pelo WhatsApp

Segundo a Polícia Federal, os diálogos indicam que Valdemar teria participado de alterações em indicações, incluindo mudanças de municípios e valores. Em uma conversa citada no relatório, aparece uma planilha chamada “Alteração em Turismo – VCN”.

A PF investiga suspeitas de crimes como peculato-desvio e associação criminosa. O ministro Flávio Dino afirmou, na decisão, que a investigação aponta uma possível “ascendência” de Valdemar sobre a definição das emendas, apesar de ele não possuir mandato parlamentar.

Manifestação da PGR

A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra algumas medidas cautelares, mas defendeu a continuidade das investigações e o rastreamento dos valores.

A decisão do STF também determinou que a Câmara dos Deputados entregue documentos sobre a tramitação das emendas investigadas. As defesas de Valdemar Costa Neto e dos demais citados ainda não haviam se manifestado no processo.

Tags