Congresso Nacional, em Brasília | Foto: Reprodução
Partido terá 121 deputados e 28 senadores e ganhará peso nas negociações por cargos e pautas do Legislativo; bancada ficará longe dos votos necessários para aprovar PECs sozinha
Publicado 6 de outubro de 2026 às 16:17
O resultado das eleições para o Congresso criou um cenário que pode pesar na relação entre o próximo presidente e o Legislativo. O PL, partido de Flávio Bolsonaro, terá a maior bancada da Câmara e do Senado a partir de 2027, com 121 deputados e 28 senadores.
O tamanho da bancada ganha importância porque Lula (PT) e Flávio disputarão o segundo turno da eleição presidencial. Se Lula for reeleito, terá de governar diante de um Congresso no qual o partido de seu adversário será a maior força partidária nas duas Casas. Se Flávio vencer, assumirá o Planalto com o próprio partido também ocupando o primeiro lugar em número de deputados e senadores.
Na Câmara, o PL elegeu 121 dos 513 deputados, o equivalente a 23,6% das cadeiras. A segunda maior bancada será a federação PT-PCdoB-PV, com 88 deputados, sendo 70 do PT.
No Senado, o PL terá 28 dos 81 senadores. O PT ficará com nove, seguido pelo MDB, com oito. Segundo o Senado, caso a composição prevista se confirme na posse, em fevereiro de 2027, será a maior bancada de um partido no início de uma legislatura desde a promulgação da Constituição de 1988.
O crescimento do PL foi expressivo nas duas Casas. Na Câmara, o partido passou de 97 deputados eleitos em 2022 para 121 em 2026. No Senado, elegeu 19 dos 54 senadores escolhidos neste ano e deverá chegar a 28 integrantes.
Uma eventual vitória de Lula não mudaria o resultado já definido para o Legislativo. O presidente teria de lidar com uma bancada do PL maior do que a do próprio PT e com uma oposição que poderá ocupar espaços importantes na Câmara e no Senado.
Isso não significa que o PL terá votos para barrar sozinho as propostas do governo. O partido estará longe de uma maioria nas duas Casas. A aprovação de projetos dependerá, em muitos casos, do apoio de outras legendas, principalmente dos partidos de centro, que continuarão com número relevante de parlamentares.
Ainda assim, a composição aumenta a dificuldade para um eventual governo Lula. O tamanho do PL dá ao partido mais espaço nas negociações sobre a pauta, a formação de blocos e a distribuição de cargos e presidências de comissões.
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Além disso, uma resolução aprovada pelo Congresso em 2025 criou formalmente a Liderança da Oposição no Congresso Nacional. A regra permite que partidos ou blocos de oposição constituam uma liderança com prerrogativas equivalentes às da Liderança do Governo. O líder deve ser indicado pela representação partidária ou bloco de oposição com o maior número de parlamentares.
Se Flávio Bolsonaro vencer a eleição presidencial, o cenário será diferente. O novo presidente chegará ao Planalto tendo o PL como maior bancada das duas Casas, o que facilita a construção de uma base a partir do próprio partido.
Isso, porém, também não significa maioria automática. O PL precisará negociar com outras legendas para aprovar projetos que dependam de quórum elevado.
A diferença entre os dois cenários está principalmente na relação política entre Planalto e Congresso: Lula teria como principal força de oposição justamente o partido de seu adversário na eleição presidencial; Flávio, por outro lado, começaria o mandato com o próprio partido ocupando a maior bancada do Legislativo.
A força do PL não é suficiente para aprovar sozinho uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Para alterar a Constituição, são necessários 308 votos na Câmara e 49 no Senado, em dois turnos de votação em cada Casa. Com 121 deputados, o PL fica a 187 votos do quórum necessário na Câmara. No Senado, os 28 senadores do partido ficam a 21 votos dos 49 exigidos.
O mesmo vale para um eventual processo de impeachment do presidente da República. Na Câmara, são necessários 342 votos para autorizar a abertura do processo. No Senado, a condenação exige 54 votos. Por isso, a maior bancada dá ao PL peso político, mas não poder para decidir sozinho essas votações.
O tamanho das bancadas influencia a distribuição dos espaços dentro do Congresso, incluindo vagas e presidências de comissões. Entre os colegiados mais importantes estão as Comissões de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e do Senado e a Comissão Mista de Orçamento (CMO).
A CMO tem peso especialmente relevante porque analisa as propostas de Orçamento da União e outras matérias relacionadas às contas públicas. Para um eventual governo Lula, portanto, a nova composição do Congresso significa mais uma frente de negociação: além de buscar votos para seus projetos, o Planalto terá de lidar com um PL fortalecido e com capacidade maior de organizar a oposição.
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