Ministro André Mendonça determinou que a PF apure a origem de informações sigilosas divulgadas sobre o caso Lulinha. | Foto: Gustavo Moreno/STF
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal apure a origem do vazamento de informações sigilosas de investigações que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT).
A medida foi tomada após pedido da defesa de Lulinha, que questionou a divulgação de informações que estavam sob sigilo. Reportagens recentes tiveram acesso a mensagens e documentos relacionados às investigações. A apuração deve identificar quem tinha o dever de preservar o sigilo das informações e se houve violação dessa obrigação.
Mendonça deixou claro, porém, que a investigação não deve alcançar jornalistas que tiveram acesso ao material e publicaram as informações. O ministro ressaltou a proteção constitucional ao sigilo da fonte. A investigação deverá se concentrar em quem tinha acesso ao material sigiloso e na forma como essas informações chegaram a terceiros.
Mendonça também ressaltou que a quebra de sigilo autorizada pela Justiça para fins de investigação não transforma automaticamente os dados em informação pública. O acesso ao conteúdo continua submetido ao dever de preservação do sigilo.
Na decisão, o ministro delimita a apuração aos responsáveis pela eventual violação desse dever, sem direcioná-la aos profissionais de imprensa que tiveram acesso indireto às informações. Esse entendimento também já havia sido adotado por Mendonça em decisão anterior sobre vazamento de dados sigilosos.
A decisão ocorre depois que veículos de imprensa divulgaram informações do inquérito que investiga Lulinha. A revista Veja publicou, em 20 de agosto, reportagem baseada em material que, segundo o veículo, integra a investigação da Polícia Federal. Entre os conteúdos divulgados estão mensagens trocadas entre Lulinha e a empresária Roberta Luchsinger.
As conversas tratam de negócios e de possíveis negociações relacionadas ao governo federal. Em uma das mensagens divulgadas, Roberta afirma que esperava receber R$ 100 milhões em 2024. A mensagem, porém, não comprova que o valor tenha sido efetivamente recebido.
A Folha também informou que a PF investiga uma possível atuação conjunta de Lulinha, Roberta Luchsinger e Fernando Bittar em tratativas envolvendo negócios com o governo.
Lulinha é investigado em três inquéritos no STF. Dois estão sob relatoria de André Mendonça e um, mais recente, está sob relatoria do ministro Flávio Dino.
Entre os fatos investigados estão suspeitas de atuação para favorecer uma empresa ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, em tratativas envolvendo a venda de medicamentos à base de cannabis ao Ministério da Saúde. Outro inquérito apura suspeitas relacionadas à Dataprev.
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Segundo as informações divulgadas até agora, as tratativas envolvendo a venda de medicamentos ao Ministério da Saúde não resultaram em contrato ou pagamento. A defesa de Lulinha nega irregularidades.
As suspeitas ainda são investigadas e não representam condenação ou comprovação de crime.
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