Médica de maternidade em Goiânia é denunciada ao MPF por proibir alta de pacientes por motivação política
Profissional teria instruído equipe a reter internadas simpatizantes do PT durante o fim de semana de eleições e prometido nota máxima a estudantes em troca de votos.
Publicado 4 de outubro de 2026 às 16:23
Uma médica ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade Municipal Célia Câmara, localizado em Goiânia (GO), foi denunciada ao Ministério Público Federal (MPF) sob a acusação de orientar a equipe de enfermagem e colaboradores a negarem alta hospitalar a pacientes durante o fim de semana de votação. A justificativa apresentada pela profissional para a retenção das internadas baseava-se na suposta orientação partidária das mulheres, classificadas por ela como simpatizantes do Partido dos Trabalhadores (PT).
De acordo com o documento protocolado pelo advogado Alan Henrique Silva Marques, a orientação foi enviada na sexta-feira (2), às 16h58, no grupo de WhatsApp que reúne os profissionais de saúde do hospital municipal. Na mensagem, a médica ordenou que as equipes de plantão do sábado e do domingo não concedeassem alta a nenhuma paciente da enfermaria por motivos partidários, anexando ao texto uma figurinha com o rosto do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A declaração teve receptividade imediata na rede social corporativa: ao menos doze integrantes do grupo reagiram com emojis de riso, confirmação e bandeiras do Brasil. Dois colaboradores responderam por texto concordando com a orientação; um deles afirmou “combinado” acompanhado de risos, enquanto o outro enviou emojis de gargalhada.
A representação encaminhada ao MPF indica ainda que a conduta de cunho político na rede interna da maternidade ocorria de forma recorrente. Na noite anterior, quinta-feira, às 20h58, a mesma médica utilizou o canal de comunicação para prometer nota máxima no rodízio de medicina aos estudantes que votassem no número 22, em referência ao candidato presidenciável Flávio Bolsonaro (PL). A postagem recebeu dezesseis reações diversas e manifestações de apoio.
O conteúdo das conversas foi repassado ao advogado por um interno de medicina subordinado à profissional, que solicitou sigilo de sua identidade por receio de retaliações. O Ministério Público Federal deve analisar o material para apurar possíveis infrações éticas, administrativas e abusos de poder no âmbito da saúde pública.
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