Franquias de alimentação crescem 13,7% no segundo trimestre de 2026, aponta ABF
O segmento de Alimentação – Food Service segue em trajetória de crescimento no franchising brasileiro. De acordo com a Pesquisa Trimestral de Desempenho da ABF (Associação Brasileira de Franchising), o setor registrou avanço de 13,7% no segundo trimestre de 2026, figurando entre os três segmentos que mais cresceram no período, ficando atrás apenas de Limpeza e Conservação e Saúde, Beleza e Bem-Estar. O resultado ficou acima da média do mercado de franquias como um todo, que apresentou alta nominal de 9,3% entre abril e junho, alcançando faturamento de R$ 76,3 bilhões. No acumulado do primeiro semestre, o franchising cresceu 9,7%, com receita de R$ 149 bilhões.
Entre os fatores que ajudam a explicar o desempenho da alimentação fora do lar estão a procura por conveniência, preços competitivos e refeições práticas para o dia a dia. Com base em uma análise feita pela ABF, sorveterias e restaurantes de serviço rápido estiveram entre as principais alavancas do segmento no trimestre, em um cenário em que o delivery também permanece relevante na jornada de consumo. O avanço ocorre mesmo diante de um ambiente econômico marcado por juros elevados, inflação ainda pressionada, restrição de crédito e endividamento das famílias. Nesse contexto, negócios associados às necessidades recorrentes e que entregam praticidade continuam encontrando espaço no orçamento dos brasileiros. Para as redes de alimentação, o movimento reforça a importância de oferecer soluções capazes de equilibrar experiência, conveniência e uma relação custo-benefício percebida como atrativa pelo consumidor.
Outro movimento que começa a influenciar o Food Service é a popularização dos medicamentos à base de GLP-1, conhecidos como “canetas emagrecedoras”, que vem alterando não apenas o volume consumido, mas também as escolhas feitas fora de casa. Segundo dados da pesquisa da ABF em parceria com a GALUNION, 53% das redes de alimentação pesquisadas já realizaram adaptações em seus cardápios em função do aumento do uso desses medicamentos. Entre as mudanças, 52% destacaram opções com apelo saudável, 48% passaram a oferecer alternativas mais leves e 36% deram maior evidência a pratos ricos em proteínas. O movimento sinaliza um consumidor mais atento ao tamanho das porções e à composição das refeições, levando as redes a reverem o mix de produtos e a forma como entregam valor sem abrir mão de sabor, conveniência e experiência.
Na Água Doce Sabores do Brasil, esse movimento pode ser observado no desempenho dos canais digitais ao longo do primeiro semestre. A rede registrou crescimento de cerca de 6% no número de pedidos via delivery, enquanto a participação dessa modalidade avançou aproximadamente 5% em comparação com o mesmo período de 2025. Atualmente, 30% do faturamento da marca vem da estratégia de vendas online, realizada junto às principais plataformas de entrega do País. Os resultados acompanham uma jornada de consumo mais diversificada, na qual o cliente alterna entre a experiência proporcionada pelo salão e a praticidade, agilidade e conveniência das refeições consumidas em casa ou em outro ambiente de sua escolha.
Para acompanhar essa mudança, a Água Doce vem adequando o cardápio e a operação às diferentes ocasiões de consumo. Além dos tradicionais pratos para compartilhar, a rede identificou crescimento constante na procura por opções individuais, principalmente nos almoços durante os dias úteis, e passou a ampliar a oferta de receitas nesse formato, com preços mais competitivos e porções menores. A estratégia também contempla ações promocionais, produtos de menor valor médio e a expansão do projeto que visa o modelo Rei do Escondidinho, criado para o ambiente digital, que passou de quatro operações na fase piloto, iniciada em abril, para 11 lojas no interior paulista. A expectativa é chegar a pelo menos 30 cozinhas invisíveis até o fim de 2026.
“O consumidor não escolhe mais apenas uma marca ou um prato. Ele também decide como e onde quer consumir, de acordo com a necessidade daquele momento. Nosso papel é estar presente nessas diferentes jornadas, seja no almoço durante a semana, em um pedido rápido em casa, em um encontro com a família no restaurante ou um happy hour com os colegas de trabalho. Essa complementaridade entre os canais nos permite acompanhar a busca por conveniência sem deixar de lado a experiência que caracteriza nossa marca, exaltando pratos da culinária brasileira”, comenta Julio Bertolucci, diretor de franquias da Água Doce Sabores do Brasil.
Outra marca que também apostou nesse novo comportamento do consumidor é o Café Cultura. A rede brasileira de cafeterias focada em cafés especiais, além das opções convencionais, passou a contar com um cardápio Wellness, formado por uma seleção de pratos e bebidas pensada para quem quer fazer escolhas mais equilibradas sem abrir mão de uma experiência saborosa.
Com ingredientes selecionados, o menu reúne seis opções entre pratos e smoothies, mostrando que uma alimentação alinhada a novos hábitos não precisa ser sinônimo de comida sem graça. Entre as opções salgadas, o Panuozzo de Frango combina pão de casca crocante e miolo macio com tiras de frango, rúcula, tomate fresco e molho Caesar. Com 384 kcal e 35g de proteínas, é uma alternativa de refeição prática, saborosa e com boa presença proteica.
Para quem prefere uma refeição mais leve, a Salada Caesar reúne frescor, cremosidade e uma dose generosa de proteína em um clássico que ganhou uma nova leitura. O mix de alface americana, rúcula, frango em tiras, tomate-cereja, queijo parmesão e molho Caesar tem, no total, 413 kcal, 45g de proteínas e 9g de carboidratos. Já o Bowl Pulled Pork é uma refeição completa, cheia de contrastes de sabor e textura. Com 670 kcal, 25g de proteínas e 9g de fibras é uma mistura equilibrada de carne suína desfiada ao barbecue, arroz cateto, lentilha, pasta de abacate e salada de tomate-cereja, cebola roxa e microverdes.
No quesito bebidas, os smoothies são a grande estrela. O Cold Protein mistura Cold Brew – a marca própria de café gelado do Café Cultura –, banana, leite e whey protein e o resultado é uma bebida cremosa e equilibrada, com apenas 272 kcal e 25g de proteínas. Para quem gosta de frutas vermelhas, o Smoothie Protein Banana Berry reúne banana, morango, amora, leite, whey e um toque de baunilha. O resultado é uma bebida cremosa, naturalmente saborosa e com 272 kcal e 24g de proteínas. Outra possibilidade à base de frutas é o Smoothie Protein de Uva, que combina a doçura da fruta com a cremosidade do leite, whey protein e creme funcional de morango. A bebida tem 321 kcal e 28g de proteínas.
“Com essas opções, conseguimos transformar uma necessidade do consumidor em uma experiência que desperta desejo. Não queríamos criar um cardápio com cara de restrição. Mas, sim, criar receitas que, quando chegam à mesa, façam as pessoas pensarem primeiro em como são gostosas e depois perceberem que também fazem sentido para o estilo de vida que buscam”, diz Luciana Melo, CEO e sócia-fundadora do Café Cultura.
O cenário positivo do Food Service também se reflete no desempenho do Divino Fogão, que encerrou o primeiro semestre de 2026 com crescimento de 22% em relação ao mesmo período do ano anterior. Além do avanço no negócio, a rede inaugurou 12 operações entre janeiro e junho, movimentando R$ 16,5 milhões em implantações. Os novos restaurantes acrescentaram cerca de R$ 5 milhões em vendas à rede e ampliaram sua capacidade operacional com a oferta de aproximadamente 100 mil refeições adicionais por mês.
Em linha com um mercado no qual conveniência e diferentes ocasiões de consumo ganham relevância, o Divino Fogão também vem diversificando seus formatos de atuação. Atualmente com 260 pontos de venda, a marca implantou em março, a primeira loja de rua, na Asa Sul, em Brasília (DF), ampliando a presença para além dos tradicionais centros de compras, como shoppings e outlets. Outro movimento foi a implantação das Megalojas, restaurantes com áreas superiores a 200 m², desenvolvidos para proporcionar uma experiência mais ampla aos consumidores. A estratégia permite adaptar a operação às características de cada ponto comercial e alcançar novos públicos e momentos de consumo.
Na operação, a rede também acompanha um consumidor mais atento à relação entre conveniência e custo-benefício. Um exemplo é o Sirva-se à Vontade, modalidade na qual o cliente monta o próprio prato e paga um valor fixo pela refeição. A proposta oferece maior previsibilidade de gastos, já que o consumidor sabe previamente quanto irá desembolsar, ao mesmo tempo em que mantém a liberdade de escolha e a variedade características do buffet da marca.
“Encerramos o primeiro semestre com um crescimento expressivo e, principalmente, com avanços importantes para o futuro do Divino Fogão. Entramos em novos ambientes, como lojas de rua e megalojas. São movimentos que mostram a versatilidade da marca e a capacidade de evoluir sem perder a essência da comida brasileira que construímos ao longo da nossa história. O reconhecimento como Melhor Franquia do Brasil tornou este momento ainda mais especial e demonstra que estamos seguindo por um caminho consistente e sustentável para o negócio”, finaliza Rodrigo Varela, diretor de Planejamento e Novos Negócios do Divino Fogão.
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