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Economia

Mercado Exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia sobem 14,8%

Receita das vendas atingiu US$ 12,21 bilhões entre maio e setembro de 2026, puxada por carnes, complexo soja e mel; superávit com o bloco europeu superou US$ 10,5 bilhões

por: NOVO Notícias

Publicado 1 de novembro de 2026 às 18:01

As exportações do agronegócio brasileiro destinadas à União Europeia registraram um crescimento de 14,8% em faturamento nos primeiros cinco meses de vigência provisória do acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu. De acordo com dados do sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), os embarques nacionais renderam US$ 12,21 bilhões entre maio e setembro de 2026, ante igual intervalo do ano anterior.

Em termos de volume físico, o setor agropecuário enviou 17,74 milhões de toneladas ao continente europeu no período analisado, um avanço de 8,1% em comparação às 16,42 milhões de toneladas registradas em 2025.

O resultado positivo foi impulsionado sobretudo pelos embarques de carnes e pela cadeia da soja. As vendas externas de carnes (bovina, suína e de aves) mais do que dobraram de valor, com salto de 103,5% em receita e crescimento de 170% no volume despachado, passando de 101 mil para 272 mil toneladas. Já o segmento de produtos apícolas, encabeçado pelo mel, registrou uma elevação de 367% em faturamento.

Desempenho da soja, cafés e frutas

O complexo soja — que engloba o grão, o farelo e o óleo vegetal — manteve a liderança isolada na pauta de exportações para a Europa. A receita do segmento avançou de US$ 3,12 bilhões para US$ 4,19 bilhões, uma alta de 34,2% em valor e de 20,5% em quantidade. Considerando exclusivamente a soja em grãos, o ganho foi de 49% em receita financeira e de 35,1% no volume movimentado.

Outros produtos do campo apresentaram expansão no período:

  • Produtos florestais: Crescimento de 23% em receita;
  • Frutas, nozes e castanhas: Alta de 15% em valor, com destaque para a manga (+31,2%) e a maçã (+28,8%);
  • Abacate: Alta de 421,2%, alcançando US$ 19,87 milhões em vendas;
  • Óleo de milho bruto: Avanço de 266,3%, somando US$ 129,35 milhões;
  • Café: A comercialização do café torrado subiu 91,6% em valor e 116,5% em volume, enquanto o café solúvel teve incremento de 19% em receita e 38,2% em tonelagem.

Preferências tarifárias e regras ambientais

Os números coincidem com os primeiros efeitos da redução ou eliminação progressiva de tarifas alfandegárias de importação estabelecidas pelo tratado bilateral, em vigor provisório desde 1º de maio. O abacate brasileiro, por exemplo, teve um corte inicial de 20% na tarifa-base europeia, e tanto a fruta quanto as diferentes modalidades de café terão tributação zerada de forma escalonada até 2030.

O tratado econômico também fixou regimes de cotas especiais — limites de volume com desconto tributário — para carnes, etanol, açúcar, arroz, mel, milho e sorgo. Apesar do incremento nas vendas, o Mapa pondera que a manutenção do ritmo exportador requer a adaptação dos produtores brasileiros a rigorosas exigências sanitárias e ambientais, principalmente ao Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).

Superávit comercial em alta

No caminho inverso, o Brasil importou US$ 1,67 bilhão em produtos do agronegócio europeu entre maio e setembro deste ano, um leve aumento de 3,3% ante os US$ 1,62 bilhão registrados em período idêntico de 2025. Em volume, as compras brasileiras somaram 617,9 mil toneladas, acréscimo de 6,8%.

Como as vendas brasileiras cresceram em ritmo muito superior às compras, o superávit comercial do agronegócio (a diferença positiva entre as exportações e as importações) aumentou 17%, saindo de US$ 9,01 bilhões para US$ 10,54 bilhões.

Assinado formalmente em 17 de janeiro, o acordo conecta um mercado consumidor de aproximadamente 720 milhões de habitantes, que somam juntos um Produto Interno Bruto (PIB) acima de US$ 22 trilhões. Embora seus efeitos econômicos e tributários já estejam sendo aplicados de maneira provisória, a validação jurídica definitiva do pacto ainda depende da ratificação pelos parlamentos dos países dos dois blocos.

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