Uma mulher identificada como Fabiane Ceri gerou repercussão nas redes sociais após publicar um vídeo com ofensas direcionadas à população nordestina e a eleitores de candidatos do Partido dos Trabalhadores (PT)

Cotidiano

Preconceito Estudo mapeia 27 milhões de manifestações hostis ao Nordeste nas redes após 1º turno

Levantamento da Ativaweb DataLab monitorou seis plataformas e registrou que 82% das publicações sobre o voto na região tinham conteúdo agressivo

por: NOVO Notícias

Publicado 8 de outubro de 2026 às 14:07

Um levantamento realizado pela empresa de inteligência digital Ativaweb DataLab identificou o registro de aproximadamente 27 milhões de manifestações classificadas como hostis contra o Nordeste e cidadãos nordestinos nas redes sociais durante as primeiras 72 horas após o encerramento do primeiro turno das eleições. O monitoramento contabilizou 32,8 milhões de menções, links e compartilhamentos relacionados ao padrão de votação da região, constatando que 82,2% desse volume total apresentava teor depreciativo ou discriminatório, o que representa um fluxo médio de 456 mil postagens por hora ou 7.600 por minuto.

O relatório técnico aponta que a repercussão digital ultrapassou o debate partidário convencional e incorporou narrativas preconceituosas que associaram os moradores da região à dependência econômica de benefícios sociais, pobreza, fraude no sistema eleitoral e incapacidade intelectual. Entre as mensagens categorizadas como hostis, 26,9% expressavam sentimentos de vergonha e autodepreciação; 22,1% vinculavam a região a estereótipos de miséria; 18,3% continham ofensas direcionadas à capacidade cognitiva dos eleitores; 12,5% traziam termos de desumanização; e outros 12,5% defendiam teses de segregação territorial ou divisão do país.

O mapeamento também registrou um contingente de manifestações emitidas por moradores da própria região reproduzindo discursos de rejeição à identidade local e manifestando constrangimento quanto ao resultado das urnas em seus estados de origem.

A metodologia do estudo baseou-se na coleta e processamento de dados públicos em seis das principais plataformas digitais ativas no país: Facebook, Instagram, TikTok, X (antigo Twitter), Kwai e áreas de comentários de vídeos no YouTube. O instituto ressaltou que os indicadores refletem o universo de postagens captadas e classificadas pelos seus algoritmos de monitoramento temático durante o período, sem estabelecer relação de autoria coordenada ou vínculo funcional com uma única organização partidária ou institucional.

Polêmica

Um dos exemplos de ataques ao Nordeste foi o vídeo publicado nas redes sociais, no último domingo (04), por uma mulher identificada como Fabiane Ceri. Na gravação, a autora utiliza termos ofensivos direcionados a eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT) e profere declarações discriminatórias contra a população da região Nordeste.

A mulher afirmou que, na sua opinião, “o Nordeste tinha que ser deslocado do Brasil” e defendeu que a saída de pessoas da região deveria seguir um critério rigoroso, fazendo uma comparação com as exigências para entrada nos Estados Unidos.

Sob os preceitos da Lei Federal nº 7.716/1989, a veiculação de discursos que promovam o preconceito ou a discriminação motivada por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional e regional é tipificada como crime no Brasil, com penas agravadas quando os atos são praticados por intermédio de meios de comunicação social ou publicações na internet.

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