OMS destacou que a obesidade figura como uma doença crônica e recorrente. Foto: Marcelo Casal/Agência Brasil

OMS destacou que a obesidade figura como uma doença crônica e recorrente. Foto: Marcelo Casal/Agência Brasil

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Saúde Em 1ª diretriz para obesidade, OMS veta caneta e bariátrica para crianças

Protocolo global exige acompanhamento comportamental por no mínimo seis meses antes de remédios em adolescentes; no Brasil, condição atinge 16,5 milhões de jovens

por: NOVO Notícias

Publicado 8 de outubro de 2026 às 08:59

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou as primeiras diretrizes globais para a abordagem clínica e o manejo da obesidade em crianças e adolescentes. O documento foi estruturado em dois manuais específicos — um destinado a crianças de até 10 anos incompletos e outro para jovens de 10 a 19 anos —, fixando como princípio obrigatório o início do tratamento por intervenções no estilo de vida, reorganização nutricional e ampliação da atividade física, com veto expresso à indicação de cirurgias bariátricas e medicamentos injetáveis análogos de GLP-1 para menores de 10 anos.

O cenário epidemiológico divulgado pela entidade aponta que 170 milhões de indivíduos com idades entre 5 e 19 anos viviam com obesidade em escala global em 2024, um patamar que quadruplicou desde 1990, avançando de 2% para 8% nessa faixa da população. No Brasil, estimativas extraídas do Atlas Mundial da Obesidade indicam que a condição atinge cerca de 6,6 milhões de crianças entre 5 e 9 anos e aproximadamente 9,9 milhões de adolescentes de 10 a 19 anos, totalizando 16,5 milhões de jovens afetados no país.

Os protocolos da agência sanitária estabelecem que as mudanças comportamentais e os planos alimentares familiares devem ser mantidos por pelo menos seis meses antes da consideração de qualquer alternativa terapêutica de maior invasividade. A prescrição de medicamentos análogos de GLP-1 foi desaconselhada para pacientes abaixo de 10 anos pela falta de evidências científicas consolidadas sobre efeitos no desenvolvimento ósseo, crescimento físico e saúde mental. Apenas para o grupo de 10 a 19 anos o uso farmacológico pode ser avaliado, desde que haja comorbidades associadas — como diabetes tipo 2 — e insucesso nas medidas de rotina alimentar.

Segundo a endocrinologista Maria Edna de Melo, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), a autorização formal para uso clínico das substâncias no país depende da regulação expressa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em relação aos procedimentos cirúrgicos, a bariátrica foi totalmente desaconselhada para menores de 10 anos pelo caráter irreversível e riscos ao desenvolvimento infantil, sendo tratada exclusivamente como recurso excepcional de última linha para adolescentes com quadros graves não responsivos a outras intervenções.

As novas diretrizes também determinam que as equipes médicas integrem os cuidados de saúde mental ao acompanhamento físico, combatendo estigmas e episódios de bullying associados a quadros de ansiedade, depressão e transtornos alimentares. A diretora do Departamento de Nutrição e Segurança Alimentar da OMS, Luz María De Regil, ressaltou que o enfrentamento da obesidade infanto-juvenil exige políticas públicas estruturais e multissetoriais dos governos, abrangendo incentivo a ciclovias, praças de esporte, fortalecimento da atenção básica de saúde e programas de alfabetização nutricional nas redes escolares.

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