Presidente Donald Trump - Foto: Daniel Torok/Oficial White House
Pleito desta terça-feira (3) renova toda a Câmara, um terço do Senado e define 36 governadores; oposição democrata desponta como favorita para retomar o comando do Legislativo
Publicado 1 de novembro de 2026 às 09:00
Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) para uma votação em larga escala que definirá o equilíbrio de forças do país e o futuro político do presidente Donald Trump. Estão em disputa todas as 435 vagas da Câmara dos Deputados, 35 dos 100 assentos no Senado, 36 governos estaduais e 6.139 cadeiras nos parlamentos locais, além de milhares de cargos de prefeitos, juízes, promotores e xerifes, e 146 consultas públicas e referendos sobre legislações locais.
Mais do que o preenchimento de mandatos regionais, a eleição funcionará como um teste decisivo para a sustentabilidade da gestão republicana na Casa Branca. Analistas políticos, agregadores de pesquisas e mercados de projeção apontam que o Partido Democrata reúne mais de 90% de probabilidade de retomar o controle da Câmara dos Deputados. No Senado, embora a disputa seja mais acirrada, o risco de Trump perder a maioria republicana varia entre 70% e 75%.
Uma eventual vitória democrata representará a primeira barreira legislativa ao atual mandato do presidente, que governou nos últimos dois anos amparado por maiorias no Congresso e na Suprema Corte. O novo cenário tem potencial para desacelerar ou inviabilizar a agenda do Executivo, que inclui diretrizes comerciais tarifárias, deportações em massa, envolvimento em conflitos externos e propostas territoriais, como a pretendida anexação da Groenlândia.
Impactos práticos na Câmara dos Deputados
Caso conquistem a maioria na Câmara, os democratas assumirão a presidência de todas as comissões parlamentares. Com essas funções regimentais, a oposição passará a contar com poderes para abrir investigações sobre atos do governo, intimar membros do gabinete ministerial, exigir a liberação de documentos oficiais e auditar contratos públicos e suspeitas de conflitos de interesse envolvendo parentes do presidente.
No campo econômico, a Câmara norte-americana tem a prerrogativa constitucional de travar na origem propostas de alteração de alíquotas de impostos, cortes orçamentários ou extinção de agências públicas, além de ditar o direcionamento de recursos federais e o teto dos gastos públicos.
Poder de veto no Senado
A configuração do Senado também será decisiva para o Executivo. Se os democratas reassumirem o comando da Casa legislativa, o governo perderá a facilidade para aprovar nomeações de primeiro escalão.
O plenário do Senado tem o poder constitucional de vetar indicações presidenciais para comandar ministérios, missões diplomáticas no exterior e agências de inteligência e segurança, como a Agência Central de Inteligência (CIA) e o Departamento Federal de Investigação (FBI), além de barrar novos nomes para eventuais vagas abertas na Suprema Corte.
Governo por decretos e contestações judiciais
Desde o início de seu segundo mandato, há dois anos, Trump centralizou a gestão na edição sucessiva de ordens executivas. O mandatário declarou situação de emergência nas fronteiras, incluiu cartéis de drogas na lista oficial de organizações terroristas e estabeleceu que o Estado reconhece apenas dois sexos biológicos.
No campo simbólico, ordenou a aposição de sua assinatura na nota de US$ 100, a cunhagem de moedas com sua imagem e rebatizou referências geográficas, chamando o Golfo do México de “Golfo da América” e o Lago Ontário de “Lago América”.
Outra das principais ordens do presidente — o decreto que determina o fim do direito à cidadania por nascimento em solo norte-americano — permanece temporariamente suspensa por decisões de tribunais federais. O resultado das urnas desta terça-feira indicará se Trump continuará governando sem contrapesos no Legislativo ou se passará os próximos dois anos sob o escrutínio direto de uma oposição fortalecida.
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