Doenças cardiovasculares: onde estão as lacunas entre prevenção, diagnóstico e acesso ao tratamento?
No Mês do Coração, Colabore com o Futuro e o Grupo de Advocacy em Cardiovascular (GAC) alertam para disparidades nos desfechos de saúde pública e reforçam a importância de conectar a experiência dos pacientes à formulação de políticas no SUS
Publicado 5 de outubro de 2026 às 10:07
As doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de morte e o maior desafio de saúde pública do Brasil. Embora avanços na prevenção, no diagnóstico e no tratamento tenham ampliado as possibilidades de cuidado, ainda existem lacunas entre o que está previsto nas políticas de saúde e o que chega efetivamente ao paciente. É nesse contexto que a Colabore com o Futuro, por meio do Grupo de Advocacy em Cardiovascular (GAC), aproveita o Mês do Coração para colocar em discussão os desafios da jornada cardiovascular no SUS e o papel da participação social na construção de respostas mais efetivas.
Por trás das estatísticas de mortalidade, estão histórias reais de vidas interrompidas, sonhos adiados e famílias impactadas por infartos e Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs). As diferenças no acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado podem interferir diretamente na jornada dessas pessoas e nos desfechos em saúde. Por isso, além de ampliar o acesso à informação, o debate passa pela identificação das lacunas ainda existentes na rede pública e pela construção de políticas que considerem a realidade dos pacientes.
Embora a cardiologia brasileira seja referência internacional em inovação e conhecimento técnico, essa excelência nem sempre se reflete no dia a dia de quem depende da rede pública. A jornada do paciente no SUS enfrenta gargalos estruturais históricos: mesmo com avanços como a incorporação da Estratificação do Risco Cardiovascular, uma conquista construída a partir da mobilização da Colabore com o Futuro com o GAC, permanecem desafios para garantir que a identificação de pacientes em maior risco seja acompanhada de prevenção, acompanhamento contínuo e acesso oportuno à linha de cuidado especializada.. Essa espera prolongada entre o diagnóstico inicial e a linha de cuidado especializada custa vidas e deixa sequelas permanentes que afetam a rotina de trabalho, a saúde emocional e a subsistência familiar, eventos graves que poderiam ser prevenidos com acompanhamento contínuo e acesso oportuno.
Frente ao cenário alarmante do infarto e do AVC, a atuação de advocacy coordenada pelo Grupo de Advocacy em Cardiovascular (GAC), rede criada em 2017 e coordenada pela Colabore com o Futuro, organização de impacto social na área da saúde que atua com advocacy, mobilização social e articulação institucional, tem provocado mudanças concretas no SUS. A articulação integra o histórico da Colabore, cujas campanhas e ações de saúde pública já contribuíram para decisões com potencial de impactar mais de 22 milhões de brasileiros.
Congresso iluminado
O prédio do Congresso Nacional, em Brasília, recebeu iluminação especial na cor vermelha nas noites de 30 de setembro e 1º de outubro como parte das atividades de conscientização do Mês do Coração. A ação foi solicitada pela organização social Colabore com o Futuro e tem o objetivo de alertar a população e o poder público sobre a necessidade de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento contínuo das doenças cardiovasculares.
Além das projeções visuais e da iluminação simbólica dos prédios públicos na capital federal, o movimento atua na articulação legislativa em torno de projetos voltados à saúde do coração. Entre as medidas impulsionadas pela mobilização está a tramitação do projeto de lei que institui a Política Nacional de Prevenção e Controle das Doenças Cardiovasculares, iniciativa que também estimulou a criação da Câmara Técnica Assessora em Atenção Cardiovascular pelo Ministério da Saúde.
No âmbito assistencial, a mobilização institucional resultou na incorporação formal da diretriz de Estratificação do Risco Cardiovascular à rede do Sistema Único de Saúde (SUS). O protocolo autoriza as unidades básicas de saúde a identificar precocemente os pacientes que apresentam quadros de maior vulnerabilidade clínica, estruturando intervenções terapêuticas e acompanhamento preventivo antes do surgimento de complicações graves.
A fundadora da organização, Carolina Cohen, ressalta que a validação de novas normas e diretrizes clínicas precisa ser acompanhada pela garantia de acesso na ponta do sistema de saúde. Para ela, o principal desafio das políticas públicas no país é assegurar que o paciente encontre os serviços disponíveis próximos à sua residência, com agilidade e escuta das necessidades dos usuários do SUS.
Campanha ‘Fale de Coração 2026’ engaja especialistas e pacientes
Em setembro de 2026, a campanha Fale de Coração atinge a sua 7ª edição consecutiva como uma das principais forças de mobilização do Mês do Coração. Criada em 2020 pelo GAC, a iniciativa desmistifica a cardiologia através do compartilhamento de conteúdos simples, acessíveis e focados em prevenção, culminando no Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro.
Ao longo de sete anos de trajetória, a campanha consolidou um histórico de forte alcance e engajamento social: promoveu testes de avaliação de risco cardiovascular online para a população, veiculou mensagens de conscientização em formato gigante na fachada do Congresso Nacional em Brasília, e realizou a iluminação simbólica de monumentos públicos de vermelho no DF, Espírito Santo e Goiás. Na edição de 2026, a mobilização ganha escala digital com a publicação de pílulas em vídeo gravadas por médicos especialistas da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), representantes do Ministério da Saúde e outros, reforçando que a informação qualificada é a primeira e mais eficaz ferramenta de prevenção.
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