Pix é apontado como referência para projeto do euro digital na União Europeia | Arte: IA/NOVO
O sucesso do Pix no Brasil passou a servir de referência para um novo projeto da União Europeia. O Banco Central Europeu trabalha na criação do chamado euro digital, uma versão eletrônica da moeda europeia inspirada em características do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. A proposta busca reduzir a dependência de empresas estrangeiras que hoje dominam parte das transações financeiras no continente.
Atualmente, quase dois terços das operações com cartões na zona do euro são processadas por empresas sediadas fora da União Europeia. Para autoridades e parlamentares do bloco, essa concentração representa uma vulnerabilidade estratégica, especialmente em um cenário de tensões comerciais internacionais. A avaliação é que ampliar a autonomia dos meios de pagamento fortalece a soberania financeira da região.
Apesar da inspiração, o euro digital não será uma versão europeia do Pix. Enquanto o sistema brasileiro permite transferências instantâneas entre contas bancárias, o projeto europeu prevê a criação de uma moeda eletrônica emitida pelo próprio Banco Central Europeu. A expectativa é que ela possa ser utilizada em lojas físicas, compras pela internet e transferências entre pessoas.
A União Europeia já definiu os critérios para a fase de testes e selecionou as instituições financeiras que participarão do projeto-piloto, previsto para começar em 2027. A legislação que regulamentará o euro digital deve ser concluída ainda em 2026, e a previsão é que a nova moeda eletrônica esteja disponível para a população a partir de 2029.
Além de servir como inspiração para o projeto europeu, o Pix também apareceu no centro da recente disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. O governo americano citou o sistema brasileiro de pagamentos ao anunciar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, alegando que o modelo teria prejudicado empresas dos Estados Unidos que atuam no setor de pagamentos eletrônicos.
Segundo o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), o Banco Central teria favorecido o Pix ao oferecer um sistema gratuito para os usuários. A justificativa foi contestada pelo governo brasileiro.
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Em declaração à imprensa na quinta-feira (16), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou as alegações como “descabidas”. “Não é sério falar sobre prática desleal em relação ao Pix”, afirmou o chanceler ao defender o sistema desenvolvido pelo Banco Central brasileiro.
Pix
Euro digital
2026 – Definição das regras do projeto.
2027 – Início dos testes com bancos participantes.
2029 – Previsão de lançamento da moeda digital para a população.
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