A PF ainda investiga como exatamente Flávio deixou o Brasil rumo à Argentina. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A PF ainda investiga como exatamente Flávio deixou o Brasil rumo à Argentina. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Política

Passo a passo Como foi a fuga de Flávio Bolsonaro em detalhes. Confira

Antes de reaparecer publicamente em Miami na manhã desta quarta-feira, Flávio havia sido visto pela última vez em um vídeo publicado na segunda-feira (26/10) à tarde nas redes sociais. “Eu nunca pensei em sair do país”, afirmou ele

por: DW Brasil

Publicado 28 de outubro de 2026 às 17:30

Após fugir do Brasil a bordo de um jatinho fretado que decolou da Argentina na madrugada, o candidato derrotado à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) aterrissou na manhã nesta quarta-feira (28) em Miami, nos Estados Unidos.

Vídeos mostram o momento em que o senador desce da aeronave, acompanhado pela mulher, Fernanda, e as duas filhas, Luiza e Carolina.

O jatinho aterrissou por volta das 10h15 (horário de Brasília) no aeroporto executivo de Opa-Locka, vindo da cidade argentina de Puerto Iguazú, após escala em Guayaquil, no Equador.

Flávio, que havia tido os passaportes cancelados por uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), embarcou com a família na madrugada de terça para quarta-feira, após uma sucessão de relatos desencontrados sobre seu paradeiro.

A ordem de Moraes se baseou em um pedido da Polícia Federal (PF), que temia justamente a fuga do senador investigado em duas ações criminais: por suspeita de lavagem de dinheiro e outros crimes no âmbito dos escândalos do Banco Master e dos desvios no INSS — neste último caso, ele é investigado junto com o advogado e amigo Willer Tomaz, que também está nos EUA desde a semana passada.

O governo de Donald Trump já confirmou que dará abrigo ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele se juntará nos EUA ao irmão Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal condenado pelo STF por tentar interferir nas decisões da Justiça brasileira em benefício do pai que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.

Flávio avistado pela última vez em Brasília
Antes de reaparecer publicamente em Miami na manhã desta quarta-feira, Flávio havia sido visto pela última vez em um vídeo publicado na segunda-feira (26/10) à tarde nas redes sociais.

“Eu nunca pensei em sair do país”, afirmou ele ao comentar a ordem judicial que o obrigava a entregar seus passaportes até as 11h de terça-feira. “Vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, acrescentou.

Na publicação, ele também deu a entender que continuaria no país para “organizar a oposição” ao governo reeleito de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Mais cedo naquele mesmo dia, o senador havia feito uma visita ao pai em Brasília.

Os rumores desencontrados sobre a fuga começaram na madrugada de terça-feira, após o site argentino Infobae reportar que ele havia cruzado a fronteira entre o Brasil e a Argentina rumo à cidade de Puerto Iguazú. De lá, segundo a publicação, Flávio pegaria um voo particular para Miami, nos Estados Unidos.

O jornal argentino La Nación, citando fontes da Polícia de Seguridad Aeroportuaria (PSA) da Argentina, informou que o voo tinha partida prevista para às 2h de terça-feira.

A aeronave, no entanto, só decolaria na madrugada seguinte — depois que aliados de Flávio já haviam ajudado a espalhar na imprensa uma sucessão de informações desencontradas sobre o paradeiro do senador e o itinerário de sua fuga, numa aparente tentativa de despistar jornalistas e as autoridades brasileiras.

Saída pela Argentina
Segundo o jornal O Globo, a mulher de Flávio, Fernanda, deixou o condomínio onde mora com o senador por volta das 20h de segunda-feira. Ela foi acompanhada por um comboio de veículos, mas Flávio não teria sido visto nos carros naquele momento.

A PF ainda investiga como exatamente Flávio deixou o Brasil rumo à Argentina. A corporação afirma não ter registros da passagem dele por pontos regulares da fronteira brasileira. Brasília fica a cerca de 19 horas de carro de Puerto Iguazú.

Uma das suspeitas é de que ele possa ter voado até a Argentina em um jato pertencente a uma empresa de Willer Tomaz que saiu de Brasília às 5h05 de terça-feira e aterrissou três horas e meia depois em San Fernando, próximo a Buenos Aires. A informação é da coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo.

A versão divulgada pelas autoridades argentinas na madrugada desta quarta-feira (28/10), porém, sugere que o senador e sua família teriam saído do Brasil por terra. Mais precisamente, pelo passo fronteiriço da Ponte Internacional Tancredo Neves, em Foz do Iguaçu (PR).

De acordo com essa versão, Flávio e família teriam entrado em território argentino às 22h50 da terça-feira e embarcado em um voo às 23h30 com destino a Guayaquil, no Equador.

Especialistas citados pela GloboNews afirmam que o controle migratório na fronteira do Brasil com a Argentina é opcional, e que as autoridades brasileiras não registram quem sai. Apenas a Argentina registra quem entra.

O jornal argentino Clarín diz ter sido informado de que não havia, na Argentina, nenhum alerta vigente contra Flávio que impedisse sua entrada, e lembrou que o senador também tem passaporte italiano, documento que ele poderia ter utilizado ao cruzar a fronteira por via terrestre. Além disso, brasileiros não precisam de passaporte para entrar na Argentina; basta um documento de identidade.

A Direção Nacional Migratória, órgão ligado ao Ministério do Interior argentino, diz que Flávio e sua família “possuíam documentação de viagem válida e não enfrentavam qualquer impedimento legal para entrar”. “Além disso, sua passagem foi registrada pela autoridade competente sem qualquer incidente.”

A versão do departamento argentino de migração foi divulgada quase duas horas depois de o canal argentino C5N exibir ao vivo uma intensa movimentação no aeroporto de Puerto Iguazú, na província de Misiones, e um jatinho decolando.

A partida ocorreu pouco depois da meia-noite desta quarta-feira (horário de Brasília), de acordo com o site de monitoramento Flighradar24.

As imagens da C5N sugerem que a fuga foi executada com o auxílio do governo de Javier Milei, já que os carros que levaram os passageiros até o jatinho tinham escolta policial.

Um dos veículos tinha placa do Brasil e estava adesivado com o logo da Iguaçu Dallas Travel LTDA, uma empresa de transporte de passageiros de Foz do Iguaçu.

O jornal argentino Clarín afirma que duas vans brasileiras escoltadas pela polícia de segurança aeroportuária da Argentina chegaram em alta velocidade depois de passar pelo posto fronteiriço em Puerto Iguazú vindas do lado brasileiro. Flávio Bolsonaro estaria no banco traseiro de uma delas, usando boné.

Outro elemento apontado pela imprensa argentina como indício de participação do governo de Milei na fuga de Flávio é a presença de Santiago Caputo, estrategista do presidente, em Misiones naquele momento.

Avião que teria sido usado por Flávio Bolsonaro em fuga aos EUA visto por detrás de portão do aeroporto de Guayaquil, no EquadorAvião que teria sido usado por Flávio Bolsonaro em fuga aos EUA visto por detrás de portão do aeroporto de Guayaquil, no Equador

O avião utilizado na fuga, um Gulfstream G400 de matrícula LV-JQW da empresa Baires Fly S.A., tem autonomia para voar por pouco mais de 7 mil quilômetros — o suficiente para, em tese, cobrir a rota Puerto Iguazú-Miami.

Mas o jatinho não transitou pelo espaço aéreo brasileiro, percorrendo em vez disso 3.770 quilômetros por Paraguai, Bolívia, Peru e Equador, parando em Guayaquil antes de decolar de novo rumo a Miami.

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