Filme Dark Horse

Últimas

Filme Alvo de inquérito da PF e do STF, cinebiografia sobre Bolsonaro tem estreia adiada para 2027

Longa-metragem financiado com recursos sob suspeita do Banco Master teve 72% dos gastos realizados nos Estados Unidos e foi autuado por filmagem irregular

por: NOVO Notícias

Publicado 12 de outubro de 2026 às 10:05

O longa-metragem “Dark Horse”, cinebiografia que retrata a ascensão política e a campanha eleitoral de Jair Bolsonaro em 2018, teve sua estreia nos cinemas brasileiros adiada para 2027. Inicialmente prevista para ser lançada em setembro, antes do primeiro turno das eleições, a obra cinematográfica transformou-se em foco de desgaste político para o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), após a abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) baseado em mensagens e áudios que apontam pedidos de recursos feitos pelo senador ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para o custeio da produção.

A investigação conduzida pela Polícia Federal apura a suposta prática de corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, abrangendo a atuação de Flávio e de seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Uma das linhas investigativas busca verificar se valores repassados pelo banqueiro por intermédio do fundo Havengate, gerido por um advogado ligado à família, teriam sido destinados a bancar despesas pessoais de Eduardo durante o período de permanência nos Estados Unidos.

A postergação do lançamento decorre também de pendências regulatórias e técnicas. Embora tenha obtido o registro na Agência Nacional do Cinema (Ancine), o filme ainda não recebeu o Certificado de Produto Brasileiro (CPB) para exploração comercial, nem a classificação indicativa do Ministério da Justiça. Além disso, a distribuidora Europa Filmes precisa concluir os trabalhos de dublagem da obra, rodada originariamente em língua inglesa com elenco predominantemente internacional. A divulgação de um trailer nacional já editado foi suspensa para evitar novas polêmicas e intervenções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante o segundo turno.

Relatório da PF tornado público pelo ministro André Mendonça detalhou que o plano de negócios elaborado pelo publicitário Thiago Miranda traçava estimativas atípicas de arrecadação, projetando cenários de bilheteria global que variavam de US$ 45 milhões a US$ 100 milhões — patamar mais de três vezes superior ao recorde histórico do cinema nacional estabelecido por “Minha Mãe é uma Peça 3” (cerca de US$ 30 milhões). A discrepância frente aos padrões médios de mercado levou a corporação a questionar a viabilidade econômica e a real finalidade dos aportes financeiros.

Uma perícia contábil privada encomendada pela produtora Go Up Entertainment indicou que a obra custou US$ 13,39 milhões (cerca de R$ 75,1 milhões), dos quais 72% foram despendidos no exterior, apesar de parte das locações ter ocorrido no Brasil. O laudo pericial apontou que 20% do orçamento total — US$ 2,68 milhões — foram direcionados à fase embrionária de planejamento conceitual (“soft produção”), etapa que habitualmente consome entre 3% e 5% dos investimentos em projetos similares, o que chamou a atenção de especialistas do setor audiovisual.

A produção também enfrenta sanções administrativas. Em 28 de julho, a Superintendência de Fiscalização da Ancine lavrou auto de infração contra a Go Up por realizar filmagens de obra estrangeira em território nacional sem comunicação prévia obrigatória nem apresentação de contratos, planos de filmagem ou documentação do corpo técnico internacional, conduta sujeita a multa que pode chegar a R$ 100 mil.

Na estrutura dramática do filme, a participação do personagem de Flávio Bolsonaro é descrita como secundária, com destaque maior conferido à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O roteiro reconstitui episódios como o atentado a faca sofrido pelo ex-presidente em Juiz de Fora (MG) e embates em debates televisivos, utilizando referências indiretas a adversários políticos e caracterizando o agressor sem nominar expressamente Adélio Bispo.

>> Receba notícias do NOVO em tempo real pelo WhatsApp

Tags