Cilindros de GNV sem reteste ampliam riscos à segurança do trânsito no RN

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Trânsito Cilindros de GNV sem reteste ampliam riscos à segurança do trânsito no RN

Falta de fiscalização nas ruas favorece circulação de veículos sem inspeção anual e com cilindros que podem não aguentar a pressão durante o abastecimento

por: NOVO Notícias

Publicado 29 de outubro de 2026 às 12:13

Se a falta de inspeção anual dos veículos movidos a Gás Natural Veicular (GNV), favorecida pela ausência de fiscalização nas ruas, já preocupa, ainda mais grave é a circulação de automóveis com cilindros que ultrapassaram cinco anos de uso sem passar pelo reteste obrigatório. O procedimento é fundamental para verificar a resistência dos reservatórios, que armazenam o combustível sob alta pressão, e prevenir acidentes que podem vitimar motoristas, passageiros e terceiros.

Um levantamento da Potiguar Inspeções, organismo de inspeção veicular, junto ao Detran, apontou que cerca de 11,6 mil veículos circulam no Rio Grande do Norte com o Certificado de Segurança Veicular (CSV) vencido, de uma frota estimada em 55 mil automóveis movidos a GNV. Os números reforçam a preocupação com a regularidade das inspeções e, principalmente, com as condições dos cilindros utilizados nesses veículos.

Há ainda outra situação que amplia a preocupação: a circulação de veículos convertidos para GNV sem a devida regularização junto ao Detran. Nesses casos, o proprietário instala o kit de gás, mas não atualiza o documento do automóvel para incluir o novo combustível. Como o registro permanece indicando apenas gasolina ou etanol, a irregularidade pode passar despercebida em fiscalizações restritas à conferência documental, sem verificação física do veículo. Assim, além dos automóveis com inspeção vencida, existe uma quantidade desconhecida de veículos que utilizam GNV sem sequer constar oficialmente como convertidos, o que dificulta o controle e a fiscalização das condições de segurança.

Segundo Domingos Júnior, técnico de inspeção da Potiguar Inspeções, muitos proprietários deixam de realizar as verificações obrigatórias devido à falta de fiscalização, sem considerar os riscos envolvidos. “Tem muito veículo ainda rodando no GNV que, devido à falta de fiscalização, está circulando de forma irregular. Algumas pessoas não sabem do risco que correm, outras sabem. E esse risco não é apenas para o motorista, mas também para terceiros”, alerta.
Reteste verifica resistência dos cilindros à pressão

De acordo com o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), os cilindros de GNV devem passar por requalificação, conhecida como reteste, a cada cinco anos, contados inicialmente da data de fabricação, ou antes, quando identificadas condições que comprometam sua segurança.

O procedimento inclui inspeções e ensaios técnicos, entre eles o teste hidrostático, que submete o cilindro a uma pressão superior à utilizada normalmente. Nos cilindros com pressão de trabalho de 200 bar, o ensaio pode chegar a 300 bar, conforme a norma aplicável, para avaliar sua resistência e identificar deformações ou outros problemas que impeçam a continuidade do uso.

Para o técnico Domingos Júnior, o uso seguro do GNV depende da manutenção preventiva, da inspeção anual e, sobretudo, do cumprimento rigoroso dos prazos de requalificação dos cilindros. Ele defende a intensificação da fiscalização nas ruas para reduzir a circulação de veículos irregulares e prevenir acidentes. “A inspeção anual permite identificar um cilindro com ferrugem ou algum desgaste e encaminhá-lo para requalificação, mesmo que ainda não tenha completado cinco anos. É uma questão de segurança”, explica Júnior.

O Inmetro também estabelece critérios de vida útil conforme a norma de fabricação. Alguns cilindros devem ser descartados após 15 ou 20 anos, enquanto outros podem continuar em utilização mediante aprovação nas requalificações obrigatórias.

Potigás aponta vantagens econômicas do GNV

Apesar do aumento do preço do gás e da retração do mercado, o GNV continua sendo uma alternativa econômica, principalmente para motoristas que percorrem grandes distâncias diariamente. Segundo Domingos Júnior, o rendimento do combustível ainda compensa, dependendo do perfil de utilização do veículo.

Simulações disponibilizadas pela Companhia Potiguar de Gás (Potigás) apontam economia de aproximadamente 35% nas despesas com abastecimento em comparação com a gasolina, em um cenário de utilização de 3 mil quilômetros mensais. O resultado varia conforme o veículo, os preços dos combustíveis e as condições de uso.

No Rio Grande do Norte, os proprietários de veículos movidos a GNV também contam com redução de 50% no IPVA. Desde janeiro de 2025, a alíquota passou de 3% para 1,5%, conforme a Lei Estadual nº 12.026/2024.

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