Abertura de empresas | Foto: Ricardo Wolffenbuttel
Dos 50,8 mil novos negócios registrados no estado até outubro, 44,5 mil pertencem aos dois setores; pequenos empreendimentos representam 54% dos empregos formais privados e 36,6% do PIB do RN
Publicado 5 de novembro de 2026 às 10:05
Os setores de serviços e comércio concentram 85,6% das empresas abertas no Rio Grande do Norte em 2026. Dos 52.041 novos negócios registrados entre janeiro e 31 de outubro, 44.551 estão distribuídos entre essas duas atividades econômicas. Os serviços lideram, com 32.901 empresas, enquanto o comércio contabiliza 11.650 registros. Os dados são do DataSebrae, plataforma do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
De acordo com o levantamento, o Rio Grande do Norte alcançou o recorde histórico na abertura de novos negócios em 2026. O resultado consolida o terceiro ano consecutivo de expansão no ritmo de formalização econômica potiguar. Na comparação com 2025, ano em que foram registradas 47.632 aberturas, o volume de novas empresas avançou 9,25%, o que representa um saldo positivo de 4.409 novos negócios constituídos no período.
A marca de 2026 é a maior de toda a série histórica disponibilizada pelo levantamento, que teve início em 2011. Em relação àquele primeiro ano, quando o estado contabilizou 18.487 aberturas, o número de novos cadastros de pessoas jurídicas no Rio Grande do Norte praticamente triplicou, registrando um salto acumulado de 181,5%.
Os dados econômicos potiguares refletem a distribuição nacional. No Brasil, foram abertas 4.951.498 empresas no mesmo período, das quais 3.175.492 pertencem ao setor de serviços e 997.590 ao comércio. Juntos, os dois segmentos representam aproximadamente 84,3% dos novos registros empresariais do país.
No Rio Grande do Norte, os serviços respondem por 63,3% das aberturas, enquanto o comércio representa 22,3%. A participação dos demais setores é significativamente menor: a indústria contabilizou 3.723 novos negócios, a construção civil registrou 3.313 e a agropecuária teve 284 empresas abertas.
A concentração evidencia a predominância das atividades de prestação de serviços e comercialização de produtos entre os novos registros empresariais no estado. Somadas, as duas áreas superam em volume todas as demais atividades econômicas apresentadas pelo levantamento.
A participação dos novos empreendimentos ganha dimensão quando observada em conjunto com outros indicadores econômicos do Rio Grande do Norte. Levantamento divulgado pelo Sebrae-RN em outubro aponta que os pequenos negócios representam 54% dos empregos formais da iniciativa privada no estado e respondem por 36,6% do Produto Interno Bruto (PIB) potiguar.
O estado reúne mais de 277 mil empreendimentos enquadrados como microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte. De acordo com os dados divulgados pela instituição, esse conjunto representa aproximadamente 88% das 314.244 empresas ativas registradas no Rio Grande do Norte em setembro de 2026.
A distribuição dos empreendimentos também mostra a presença dos pequenos negócios nos municípios. Natal concentra 99.402 estabelecimentos, seguida por Parnamirim, com 29.352, e Mossoró, com 26.727. São Gonçalo do Amarante aparece na sequência, com 8.550, enquanto Caicó reúne 5.832.
Além da quantidade de estabelecimentos, os pequenos negócios têm participação na movimentação do mercado de trabalho. Entre janeiro e julho de 2026, as micro e pequenas empresas apresentaram saldo positivo de 7.533 empregos formais no estado, segundo o boletim do Sebrae-RN. O resultado corresponde à diferença entre contratações e desligamentos no período.

Formalização
Outro levantamento divulgado pelo Sebrae-RN ajuda a dimensionar a formalização de novos empreendimentos no estado. Entre outubro de 2025 e setembro de 2026, foram registradas 58.624 novas empresas no Rio Grande do Norte. Desse total, 56.317 eram pequenos negócios, incluindo MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte.
A participação equivale a aproximadamente 96% das novas inscrições empresariais contabilizadas nesse intervalo de 12 meses. O indicador reforça a presença dos empreendimentos de menor porte na formalização de atividades econômicas no estado.
No cenário nacional, os pequenos negócios também apresentam participação expressiva. Segundo levantamento divulgado pela Agência Sebrae de Notícias em 7 de outubro, o Brasil registrou 452,6 mil novos pequenos negócios somente em setembro de 2026, resultado 5,5% superior ao observado no mesmo mês de 2025.
Entre janeiro e setembro, foram contabilizados 4.391.539 pequenos negócios no país. Os microempreendedores individuais responderam por 77% desse total, enquanto as microempresas representaram 19% e as empresas de pequeno porte, 4%.
A simplificação dos procedimentos para formalizar empresas é outro aspecto relacionado ao ambiente de negócios potiguar. Dados publicados pela Tribuna do Norte em outubro, com base no Mapa da Burocracia, apontaram que o Rio Grande do Norte registrou a segunda maior redução do país no tempo médio de abertura de empresas no segundo trimestre de 2025.
Naquele período, o prazo estadual caiu 43,3% em relação aos três meses anteriores, chegando a 17 horas. Em Natal, a média foi de sete horas, uma redução de 56,3% na mesma comparação.
Segundo informações da Prefeitura do Natal, a automatização de etapas do Portal Directa e a integração com a Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim) contribuíram para agilizar os procedimentos municipais.
Os indicadores apresentam diferentes dimensões do ambiente empreendedor: a distribuição das novas empresas por atividade econômica, a participação dos pequenos negócios na economia e o tempo necessário para formalização. Em conjunto, ajudam a compreender a presença dos empreendimentos de menor porte e a concentração dos novos registros nos setores de serviços e comércio.
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