O deputado Otoni de Paula pediu à PGR medidas cautelares contra o senador Flávio Bolsonaro. | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Política

INVESTIGAÇÃO Deputado pede à PGR que avalie impedir Flávio Bolsonaro de deixar o Brasil após derrota

Deputado Otoni de Paula pediu que a Procuradoria avalie a proibição de viagem e a entrega dos passaportes do senador; caso envolve investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse e movimentações financeiras no exterior

por: NOVO Notícias

Publicado 26 de outubro de 2026 às 15:05

O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) que avalie medidas para impedir o senador Flávio Bolsonaro (PL) de deixar o Brasil, incluindo a entrega dos passaportes. O pedido foi apresentado no domingo (25) e tem como base a investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O pedido, porém, não impede Flávio de viajar nem significa que seus passaportes tenham sido apreendidos.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Otoni disse que não permitiria que o senador deixasse o país e mencionou as apurações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro. “Os seus esquemas com Vorcaro você vai ter que pagar aqui”, declarou o deputado.

A fala é do parlamentar e não representa uma conclusão da Justiça sobre a responsabilidade de Flávio.

A representação pede que a PGR avalie com urgência se há motivos para solicitar medidas cautelares ao Supremo Tribunal Federal (STF). Entre elas estão a proibição de deixar o país, a entrega dos passaportes em até 24 horas após eventual intimação e o aviso às autoridades responsáveis pelo controle migratório, caso a restrição seja determinada.

O que está sob investigação

A representação cita o Inquérito 5.070, que tramita no STF sob a relatoria do ministro André Mendonça. A investigação apura operações ligadas ao financiamento de Dark Horse. Flávio está entre os investigados. Ele afirma que buscou recursos privados para financiar o filme e nega irregularidades.

O documento também menciona reportagens sobre pedidos de dinheiro ao empresário Daniel Vorcaro e operações financeiras envolvendo empresas ligadas a Fabiano Zettel, a Entre Investimentos e à Havengate. Segundo a representação, as operações teriam movimentado cerca de US$ 12,3 milhões até setembro de 2025.

O documento ressalta que os valores citados não provam, por si só, que Flávio tenha recebido o dinheiro ou participado de irregularidades.

A Polícia Federal também teria pedido mais 90 dias para concluir perícias contábeis e receber informações do exterior por meio de cooperação internacional.

Empresa no exterior entra no pedido

A representação também cita a Alcazar Holdings, registrada na Ilha da Madeira e ligada ao advogado Willer Tomaz. Com base em reportagens, o deputado pede a análise de registros bancários e societários para identificar quem tinha acesso à conta da empresa e quem realizou as operações. O documento também menciona viagens ao exterior e despesas que teriam sido pagas por empresas ligadas ao advogado.

Em manifestação divulgada em 22 de outubro, a Alcazar afirmou que Flávio nunca foi sócio, administrador ou beneficiário da empresa. Segundo a companhia, Willer Tomaz é o único dono. O deputado pede que as declarações sejam comparadas com os registros disponíveis.

A representação também pede que sejam verificadas possíveis obrigações tributárias e cambiais ligadas às operações no exterior. Se houver elementos suficientes, Otoni quer que a PGR avalie a possibilidade de consultar órgãos como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o Banco Central e a Receita Federal.

Pedido não comprova risco de fuga

A representação não apresenta comprovação pública de que Flávio tenha comprado passagens para deixar o país, descumprido ordens judiciais ou usado dinheiro no exterior para evitar uma eventual responsabilização. O deputado também menciona episódios envolvendo Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, mas reconhece que eles não podem ser usados, por si só, para justificar restrições a Flávio.

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A representação cita ainda o fim do mandato do senador, previsto para 31 de janeiro de 2027, e afirma que uma derrota na eleição presidencial não seria, por si só, motivo para impedi-lo de viajar.

Otoni pede que a PGR leve o caso ao STF e solicite medidas cautelares, se encontrar motivos concretos para isso. Ele também pede que as medidas possam ser analisadas sem ouvir a defesa antes, caso haja urgência e necessidade comprovadas.

A restrição de viagem só poderá ser imposta se houver decisão judicial. O pedido do deputado não é uma denúncia criminal nem prova de culpa de Flávio Bolsonaro.

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