Flávio Bolsonaro foi procurador, por meio de sua assessoria, mas até o momento nào respondeu aos questionamentos sobre esse caso que envolve a morte da menina Ana Clara, de 5 anos. Foto: Reprodução
A atuação de Flávio Bolsonaro no processo foi realizada sem custos, na modalidade pro bono. Entre as notas fiscais emitidas pelo escritório do senador — que totalizam quase R$ 14 milhões faturados desde 2023 —, não constam registros de pagamento emitidos em nome do réu ou do escritório que lidera o caso
Publicado 23 de outubro de 2026 às 16:00
O senador Flávio Bolsonaro (PL) atuou como advogado de graça no caso relacionado à morte de uma menina de cinco anos durante uma operação policial no Rio de Janeiro. Trata-se do caso Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, morta por disparos de fuzil em fevereiro de 2021, em Niterói (RJ), quando brincava na porta de casa com o irmão.
O policial militar Bruno Dias Delaroli foi acusado pelo Ministério Público de atirar. Flávio integrou a defesa do policial e assinou, em 2024, um recurso ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) contra a decisão de levá-lo a júri popular.
A atuação de Flávio Bolsonaro no processo foi realizada sem custos, na modalidade pro bono. Entre as notas fiscais emitidas pelo escritório do senador obtidas pela reportagem do UOL — que totalizam quase R$ 14 milhões faturados desde 2023 —, não constam registros de pagamento emitidos em nome do réu ou do escritório que lidera o caso.
Segundo nota enviada à Folha de S.Paulo pelo advogado Paulo Klein, um dos defensores do policial, o convite a Flávio Bolsonaro ocorreu por meio do Instituto Família Policial. De acordo com Klein, a entidade atua para fornecer assistência jurídica a agentes da lei, justificando a participação do senador por seu alinhamento com a causa. Procurado novamente, Klein optou por não conceder novas declarações.
A assessoria de Flávio Bolsonaro foi procurada pelo UOL, mas não respondeu até a publicação da matéria.
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A versão da defesa
A defesa do policial sustenta que Delaroli é inocente e que a atuação jurídica conjunta obedece a preceitos éticos. Em nota, alegou que o PM e a equipe reagiram a tiros de fuzil durante a ação na comunidade e que a criança ficou na linha de fogo. O objetivo das peças recursais era remeter o processo para julgamento pela Justiça Militar.
O STJ rejeitou o recurso assinado pela banca e determinou a realização do júri popular, com previsão para o início do próximo ano. A defesa informou ainda que a entrada de Flávio no caso não provocou adiamentos no andamento processual, pontuando que qualquer adiamento decorreu de determinações do próprio juízo.
Denúncia do Ministério Público
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro, Bruno Dias Delaroli atirou com fuzil em direção a uma área residencial onde a vítima brincava, assumindo o risco de atingir moradores. Conforme a acusação, testemunhas presentes gritaram “é morador, é morador” para cessar os disparos, mas o policial seguiu atirando.
O processo em questão passou a repercutir no cenário político e foi mencionado pelo presidente Lula (PT) durante debate na Band. No período de exibição do programa, buscas pelos nomes dos envolvidos superaram a marca de 1 milhão de consultas no Google.
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