Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, falou sobre cortes de gastos e mudanças na Previdência. | Foto: Reprodução
A equipe econômica de Flávio Bolsonaro (PL) admite discutir mudanças nas regras da Previdência e no reajuste do salário mínimo, caso ele seja eleito presidente neste domingo (25). Em entrevista ao podcast Market Makers, a coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, afirmou que o grupo reúne 300 alternativas para cortar gastos públicos. Ela, porém, não detalhou quais medidas poderiam ser adotadas nem qual seria a economia.
As regras do salário mínimo também têm impacto nas aposentadorias e em outros benefícios vinculados ao piso nacional. Por isso, mudanças na fórmula de reajuste podem afetar a renda de trabalhadores e beneficiários da Previdência. Até agora, porém, a campanha não anunciou uma redução dos valores pagos.
“Você não tem moral como governo para debater ajuste de previdência, de salário mínimo e tal, se você não for cortar na carne”, afirmou Daniella. Ela disse que pretende entregar a Flávio um conjunto de propostas para reduzir os gastos públicos.
Daniella também citou o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e outros economistas. Não ficou claro, porém, se as mudanças no salário mínimo e na Previdência estão entre as 300 alternativas mencionadas.
A menção a Paulo Guedes lembra o debate de 2022 sobre mudanças no reajuste do salário mínimo e das aposentadorias. Na época, foram discutidas alternativas que poderiam mudar a forma de corrigir esses valores, inclusive com reajustes diferentes da inflação acumulada. Se a correção ficar abaixo da inflação, o dinheiro perde poder de compra.
O debate de 2022, porém, não comprova que a campanha atual pretenda adotar a mesma medida. Na entrevista, Daniella também afirmou que o plano econômico de Flávio prevê reajuste do salário mínimo acima da inflação e defendeu cortes em despesas que considera excessivas.
Daniella não detalhou qual regra de reajuste seria adotada, se o candidato proporia uma nova reforma da Previdência ou quem poderia ser afetado. Sem essas informações, ainda não há como estimar o impacto das medidas sobre trabalhadores e aposentados.
A regra atual prevê a correção anual do salário mínimo pela inflação e um aumento real ligado ao crescimento da economia, respeitados os limites previstos em lei. O piso também influencia o valor de benefícios previdenciários que, pelas regras constitucionais, não podem ser inferiores ao salário mínimo.
A dúvida é se Flávio pretende manter a regra atual ou mudá-la. Para saber o que isso significaria na prática, é preciso conhecer as propostas e verificar quais dependeriam de aprovação do Congresso.
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A entrevista também abordou o fim da reeleição e a possibilidade de ampliar o mandato presidencial. Ao comentar o tema, Daniella fez uma referência a um intervalo de oito anos relacionado aos mandatos dos senadores eleitos em 2026. A declaração precisa ser conferida na gravação para deixar claro a que tipo de eleição ela se referia.
Flávio Bolsonaro defendeu o fim da reeleição e disse estar disposto a discutir o aumento do mandato presidencial de quatro para cinco anos. Hoje, a Constituição prevê mandato de quatro anos. Para mudar essa regra, seria necessária uma alteração constitucional. A definição de quando e a quem a nova regra se aplicaria dependeria do texto aprovado e de suas regras de transição.
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