Flávio Bolsonaro é citado em reportagem sobre passeio de lancha em Brasília durante a pandemia. | Foto: Reprodução
Reportagem da revista piauí relata passeio no Lago Paranoá, em julho de 2020, com empresários ligados à negociação da Covaxin e afirma que um deles teria dado um Rolex ao senador
Publicado 22 de outubro de 2026 às 10:01
Uma reportagem da revista piauí relata que Flávio Bolsonaro (PL) participou de um passeio de lancha no Lago Paranoá, em Brasília, em julho de 2020, durante a pandemia de Covid-19. Segundo a publicação, estavam na embarcação empresários interessados em vender a vacina Covaxin ao governo de Jair Bolsonaro (PL), três mulheres identificadas pela revista como garotas de programa e um amigo do senador. A reportagem também relata que, ao fim do passeio, um dos empresários teria colocado um relógio Rolex no pulso de Flávio.
Para reconstituir o encontro, a revista ouviu pessoas ligadas ao caso e consultou documentos e registros de voos. O passeio ocorreu enquanto o governo federal negociava a compra de vacinas contra a Covid-19.
Segundo a piauí, Francisco Maximiano, ligado à Precisa Medicamentos, e Danilo Trento viajaram de São Paulo para Brasília na noite de 16 de julho de 2020. Os dois diziam representar a Bharat Biotech, laboratório indiano fabricante da Covaxin, e buscavam fechar um acordo com o governo brasileiro.
Também estavam no avião o agente de viagens Raphael Barão e três mulheres que a publicação identificou como garotas de programa. O grupo chegou a Brasília naquela noite e se hospedou em um hotel. O passeio de lancha ocorreu no dia seguinte.
Segundo a piauí, bebidas alcoólicas e petiscos foram levados para a lancha na manhã de 17 de julho. Flávio chegou acompanhado de Alexandre Santini, seu amigo e então sócio em uma franquia da Kopenhagen, loja de chocolates. O grupo navegou pelo Lago Paranoá e parou em um restaurante flutuante. De acordo com a reportagem, Raphael Barão pagou uma conta de R$ 1.949.
A revista relata ainda que Flávio desceu à cabine da embarcação acompanhado de duas mulheres, em momentos diferentes.
A piauí afirma que Danilo Trento teria dado um relógio a Flávio Bolsonaro ao fim do passeio. Segundo a publicação, o empresário tirou o relógio do próprio pulso e o colocou no pulso do senador antes de sair da lancha. A reportagem também menciona uma publicação do site PlatôBR sobre outro relato envolvendo um Rolex que teria sido dado ao senador.
Na reportagem do PlatôBR, o relógio é descrito como um Rolex Submariner Date, avaliado em R$ 305 mil. O site atribui a compra ao advogado Alan Belaciano.
A presença dos empresários no passeio chama a atenção porque eles estavam ligados à negociação da Covaxin com o Ministério da Saúde. A compra da vacina foi alvo de suspeitas de irregularidades investigadas pela CPI da Pandemia, em 2021. Em depoimento à comissão, Francisco Maximiano negou que Flávio tivesse ajudado a empresa a chegar aos principais nomes do Ministério da Saúde.
Danilo Trento também foi questionado sobre contatos com integrantes da família Bolsonaro. Segundo o texto fornecido, ele afirmou inicialmente ter participado de eventos com o senador e depois disse que se tratava de eventos públicos.
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Durante a CPI, Flávio também fez declarações favoráveis à Precisa e elogiou uma representante da empresa. A descrição dessas declarações deve ser acompanhada dos registros originais para que o contexto fique claro.
A negociação da Covaxin acabou cancelada, e o primeiro pagamento não foi realizado. Os valores e as condições previstos no contrato precisam ser conferidos na documentação original antes da publicação.
A reportagem também cita uma reunião posterior ao passeio. Em outubro de 2020, Flávio participou de um encontro virtual entre Maximiano e Gustavo Montezano, então presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A reunião discutiu a possibilidade de financiamento para uma empresa de telecomunicações ligada ao empresário.
Flávio afirmou que pediu ao presidente do banco que avaliasse uma proposta para ampliar o acesso à internet nas regiões Norte e Nordeste. Na época, o BNDES informou que houve reuniões sobre o assunto, mas nenhum financiamento foi contratado.
Até a publicação da reportagem da piauí, Flávio Bolsonaro não havia respondido às perguntas sobre o passeio, os voos e o relógio. Danilo Trento também foi procurado pela revista, mas não respondeu. Os advogados de Francisco Maximiano não haviam se manifestado até o fechamento da reportagem.
A revista afirma que consultou documentos, registros de voos e depoimentos para reconstruir o encontro. As informações sobre o passeio e o suposto presente são relatos apresentados pela publicação e devem ser tratados com essa atribuição.
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