A Polícia Federal investiga se as transações de Willer Tomaz foram utilizadas para ocultar recursos de origem ilícita. Foto: Agência Senado
Tomaz e Flávio Bolsonaro constam em apuração sobre supostas fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em 2025, uma holding do setor de apostas pertencente ao advogado financiou voos do parlamentar entre Portugal e França
Publicado 20 de outubro de 2026 às 17:00
Uma nota técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda revela que o advogado Willer Tomaz, ligado ao candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL), foi o maior apostador em plataformas digitais do Brasil em 2025. O documento aponta que ele movimentou R$ 5 bilhões em apostas no período e que a empresa Blaze descumpriu regras de fiscalização e controle exigidas para operar em território nacional.
De acordo com o relatório governamental de outubro de 2026, Tomaz sacou mais de R$ 200 milhões, com a maior parte do total transacionada internamente entre ganhos, perdas e novas apostas. Somando depósitos e retiradas, o volume atingiu cerca de R$ 350 milhões, superando em mais de 60% o segundo colocado do ranking nacional. A Polícia Federal investiga se as transações foram utilizadas para ocultar recursos de origem ilícita.
Operações atípicas e apuração da PF
O relatório detalha movimentações financeiras concentradas em curtos períodos de tempo na plataforma. Em 30 de outubro de 2025, o advogado efetuou depósitos sucessivos de R$ 500 mil ao longo do dia, somando R$ 7 milhões. No dia seguinte, realizou 12 saques de mesmo valor em 18 minutos, totalizando R$ 6 milhões. Já em 5 de novembro, foram registradas 12 apostas que somaram R$ 5 milhões, gerando um retorno de R$ 7 milhões em apenas cinco minutos.
Além das suspeitas sobre os jogos, Tomaz e Flávio Bolsonaro constam em apuração sobre supostas fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em 2025, uma holding do setor de apostas pertencente ao advogado financiou voos do parlamentar entre Portugal e França.
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Processo e riscos para a plataforma
O Ministério da Fazenda instaurou processo administrativo contra a Blaze, cuja marca é administrada no país pela Foggo Entertainment. O procedimento teve início após ações judiciais movidas pelo próprio advogado pedindo ressarcimento por perdas em jogos de roleta e cartas. A pasta recomenda avaliar a suspensão das atividades da empresa, que pode receber multa de até R$ 2 bilhões.
A nota técnica afirma que a plataforma mentiu a órgãos de fiscalização, ignorou avisos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e falhou na identificação de clientes de alto risco. O órgão ressaltou que a empresa deixou de submeter à análise transações com volumes expressivos, mesmo diante de indicativos de irregularidades.
Outro lado
Em resposta, Willer Tomaz declarou que a questão está sob análise judicial e que seus recursos têm origem lícita, compatível com seus rendimentos e declarada à Receita Federal. O advogado contestou os números apresentados pela Fazenda e criticou o vazamento de dados sob sigilo durante o período eleitoral.
A assessoria da campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que o senador não figura como investigado no Supremo Tribunal Federal e que não há inquérito formalizado, devido à ausência de manifestação da Procuradoria-Geral da República ou de decisão judicial. Sobre a viagem à Europa, o parlamentar já havia pontuado que mantém apenas laços de amizade com Tomaz e classificou suspeitas de irregularidades como infundadas.
A Foggo Entertainment afirmou anteriormente que não se manifesta sobre ações judiciais em curso e reforçou seu compromisso com a legislação brasileira. Procurada novamente nesta terça-feira (20), a empresa não enviou novo posicionamento.
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