General Girão acusa estudantes da UFRN de tráfico: "Promovendo baderna e vendendo droga" - Foto: Reprodução
Parlamentar do PL criticou atuação de agentes patrimoniais após ato que terminou com estudante ferido; advogada aponta crime eleitoral em protesto com paredão de som
Publicado 20 de outubro de 2026 às 11:55
O deputado federal General Girão (PL-RN) declarou, em entrevista à rádio Mix FM Natal, que estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) utilizam o ambiente acadêmico para promover desordem e comercializar entorpecentes. Ele também classificou a segurança patrimonial da instituição como “fraca, omissa e talvez até conivente” durante o confronto registrado entre integrantes de movimentos de direita e alunos universitários na última segunda-feira (19), no campus central, em Natal.
O parlamentar, que não apresentou nomes, inquéritos ou provas materiais para fundamentar as acusações contra a comunidade discente, utilizou o termo “estudantes profissionais” para criticar alunos que supostamente prolongam a permanência nos cursos para cometer crimes e promover militância política nos campi com recursos públicos de impostos.
“Então, tem estudante que prefere ficar fazendo uma cadeira por ano ou por semestre, às vezes é reprovado, não passa, e fica lá não sei quantos anos. A gente chama de estudantes profissionais. Esses caras estão lá dentro promovendo baderna e vendendo droga. Porque a gente sabe que a droga está dentro da universidade. Não em todos os departamentos, não em todas as salas de aula, mas, infelizmente, é uma realidade. A gente precisa mudar isso daí. A esquerda se apropriou da comunidade acadêmica de um jeito que eu, sinceramente, não concordo, porque é o meu dinheiro, aliás, é o nosso dinheiro. Vocês também teriam que parar para poder pensar e reavaliar isso daí”, atacou.
Durante a entrevista, o parlamentar anunciou a intenção de formalizar uma representação contra os agentes patrimoniais diretamente ao reitor da instituição, José Daniel Diniz Melo. Ele faz referência ao ato político “Vire à direita: UFRN anti-Lula”, que reuniu apoiadores da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) no estacionamento do Setor IV. A atividade contou com carro de som, bandeiras e um boneco inflável alusivo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Incomodados com a interrupção das atividades acadêmicas em razão da algazarra dos manifestantes, estudantes universitários reagiram e formaram uma espécie de cordão humano para impedir o avanço do protesto. Houve agressões físicas, depredação de um portão de ferro e um estudante de jornalismo acabou ferido.
Ao comentar o episódio, Girão sustentou que o protesto de seu grupo ocorria de forma pacífica até a aproximação dos estudantes contrários, afirmando que integrantes de sua comitiva foram agredidos com pedras e que veículos de apoiadores tiveram a lataria riscada e pneus perfurados com facas, além do relato de furto de um aparelho celular.
Denúncia ao Conselho de Ética da Câmara
A deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) protocolou uma representação no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados para apurar a conduta do deputado General Girão durante o um ato político UFRN. A manifestação terminou em confronto físico generalizado entre militantes da direita e estudantes universitários.
Na petição encaminhada ao colegiado disciplinar em Brasília, a parlamentar mineira solicita a investigação sobre se Girão utilizou as prerrogativas do mandato legislativo para fomentar agressões e criar um ambiente de intimidação dentro da instituição de ensino.
Em declaração pública nas redes sociais, Duda afirmou que o ambiente acadêmico deve ser preservado como espaço de liberdade democrática e ressaltou que a imunidade parlamentar não constitui autorização para abuso de autoridade, sustentando que a atitude do congressista configura conduta passível de apuração por quebra de decoro parlamentar.
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