Kassio Nunes Marques é o atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). | Foto: Divulgação/TSE
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, comunicou às plataformas digitais, na sexta-feira (9), a liberação das recomendações de perfis de políticos eleitos no primeiro turno. Com a mudança, publicações de nomes como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Michelle Bolsonaro (PL-DF) podem voltar a ser exibidas a usuários que não seguem essas contas. Ambos apoiam a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.
A mudança ocorre na reta final da disputa presidencial e altera o entendimento que as plataformas vinham seguindo para aplicar as regras eleitorais. Até então, os perfis alcançados pelas restrições não apareciam nas recomendações para usuários que ainda não os seguiam.
A mudança pode fazer com que publicações desses políticos voltem a aparecer para pessoas que não seguem seus perfis. Entre elas, podem estar mensagens de apoio a Flávio Bolsonaro. Esse tipo de recomendação não depende de pagamento para impulsionar cada publicação.
Segundo levantamento da Folha, Nikolas Ferreira tinha 22,3 milhões de seguidores no Instagram no fim de setembro. Michelle Bolsonaro somava 8,4 milhões, e Flávio Bolsonaro, 11,9 milhões.
À Folha, a professora de direito eleitoral Marilda Silveira, do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), afirmou que dúvidas sobre a interpretação da resolução deveriam ser esclarecidas pelo plenário do TSE, e não apenas pelo presidente do tribunal.
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Na avaliação da professora, a mudança na aplicação das regras durante a eleição pode favorecer algumas candidaturas em detrimento de outras. Ela também questionou se o presidente do TSE poderia esclarecer sozinho uma possível lacuna na resolução.
Um levantamento da empresa Zeeng referente ao primeiro semestre de 2026 apontou que 55% dos 100 políticos mais influentes no Instagram eram de direita, enquanto 21% eram de centro-direita. O PL reunia 40% dos nomes da lista.
O levantamento mostra a distribuição dos políticos por posição ideológica entre os 100 nomes listados pela Zeeng. Os dados, porém, não permitem medir o impacto da liberação sobre o alcance das publicações ou sobre o resultado eleitoral.
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