Para todo o Nordeste brasileiro, o fenômeno do El Niño está associado à redução das chuvas e ao prolongamento dos períodos secos | Foto: Reprodução

Política

ELEIÇÕES 2026 Planos de governo ao Governo do RN abordam seca, mas ignoram El Niño

Levantamento dos nove planos de governo protocolados na Justiça Eleitoral mostra que apenas Robério Paulino (PSOL) citou nominalmente o evento meteorológico em sua proposta oficial; os candidatos focam na melhor distribuição de água

por: NOVO Notícias

Publicado 28 de setembro de 2026 às 14:29

O Rio Grande do Norte entra em alerta nos próximos meses diante da intensificação do fenômeno El Niño, evento climático caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial e que historicamente reduz os índices de chuva no semiárido potiguar. Apesar do alerta científico para a pressão sobre os reservatórios locais, a menção direta ao El Niño praticamente inexiste nas propostas de governo dos nove candidatos ao Executivo estadual.

Um levantamento nos planos protocolados na Justiça Eleitoral mostra que apenas um dos nove postulantes cita nominalmente o evento meteorológico em suas propostas oficiais. Robério Paulino (PSOL) utiliza a ocorrência do fenômeno como argumento central para alertar sobre a crise ambiental global.

Em seu documento, Paulino sustenta que o El Niño e o aquecimento global derivam da atividade humana no modelo econômico vigente e relaciona o diagnóstico à proposta de plantio de 5 milhões de árvores durante um período de quatro anos, com o objetivo de frear a desertificação no interior potiguar.

Os outros oito candidatos — Álvaro Dias (PL), Allyson Bezerra (União Brasil), Cadu de Lula (PT), Carlos Jararaca (DC), Dário Barbosa (PSTU), Rodrigo de Bolsonaro (Agir), Arinalda (UP) e Henrique Lyra (PCO) — não inseriram o termo “El Niño” em suas diretrizes textuais.

Contudo, todos abordam pautas correlatas, como combate à seca, convivência com o semiárido, adaptação às mudanças climáticas e investimentos em segurança hídrica. Essas propostas são apresentadas por meio de termos genéricos de gestão pública de recursos hídricos, sem referência expressa ao evento climático.

O El Niño ocorre a partir do aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e altera a circulação atmosférica em diferentes regiões do planeta. No Nordeste brasileiro, está associado à redução das chuvas e ao prolongamento dos períodos secos.

Quase 80% do RN está sob seca

O RN manteve 79% de seu território sob seca entre julho e agosto, o maior patamar registrado no estado desde março, quando a área atingiu 93%, conforme a última atualização do Monitor de Secas.

Além disso, a severidade do problema se intensificou no período: a parcela do estado classificada com seca moderada saltou de 15% para 25%, alcançando a condição mais grave desde abril deste ano.

No RN, os efeitos podem ser mais relevantes porque 92% do território está inserido no semiárido.

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Durante um El Niño forte, a circulação atmosférica dificulta o desenvolvimento das nuvens sobre a região tropical, reduzindo as chances de chuva. Na prática, isso pode significar períodos de estiagem mais longos e maior pressão sobre os reservatórios.

O cenário também preocupa o setor agrícola. Os grandes polos de irrigação, principalmente na região Oeste, podem ser afetados pela redução da disponibilidade de água.

No Seridó, região considerada mais vulnerável, a combinação entre pouca chuva, áreas de desertificação e problemas de fertilidade do solo pode comprometer a produção de milho e reduzir a oferta de forragem para os animais.

Propostas dos candidatos ao Governo do RN

Allyson Bezerra (União Brasil): Apresenta o programa “RN com Água” para organizar o uso da Transposição do São Francisco por bacias. Foca na conclusão de adutoras, barragens, açudes e perfuração de poços e expansão de sistemas de dessalinização.

Álvaro Dias (PL): Propõe o plano “RN Água Segura 2035”. Planeja uma ação emergencial nos primeiros 100 dias para recuperar estruturas críticas, lançar o programa “Água para Produzir” com as águas da Transposição do São Francisco e ampliar a hidrometração e dessalinizadores rurais.

Arinalda do MLB (UP): Planeja um plano popular e democrático de gestão das águas, elevando a perfuração de poços e reservatórios comunitários, além de proibir empreendimentos que ameacem aquíferos e rios.

Cadu de Lula (PT): Prioriza a conclusão de obras estruturantes em parceria com o Governo Federal (Novo PAC), como o Ramal do Apodi e sistemas adutores.

Dário Barbosa (PSTU): Defende um plano estatal de enfrentamento à seca com prioridade total do abastecimento para o consumo humano e a agricultura familiar, por meio da construção pública de barragens, adutoras, cisternas e poços.

Godeiro Linharess (DC): Propõe a manutenção preventiva e conservação de adutoras, poços e canais estaduais antes dos períodos de estiagem, além da gestão tecnológica da água via monitoramento de dados para reduzir perdas na distribuição.

Henrique Lyra (PCO): Defende o controle direto dos trabalhadores e comunidades locais sobre os recursos naturais e bens comuns, sem apresentar um plano regional específico de obras para a seca no estado.

Robério Paulino (PSOL): Propõe o plantio de 5 milhões de árvores em 4 anos no semiárido (com foco no Seridó) para combater a desertificação, implantando viveiros de mudas nativas e frutíferas em todas as escolas públicas e órgãos estaduais.

Rodrigo de Bolsonaro (AGIR): Na área rural, foca na criação de cooperativas de hortifrutigranjeiros com garantia de compra pelo Estado para combater a fome, sem detalhar obras de infraestrutura hídrica no programa.

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