BETS - Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Cotidiano

Jogos Proibição de bets pelo governo federal divide impacto entre alívio no crédito e perda fiscal

O setor movimentou cerca de R$ 220 bilhões em faturamento bruto estimado em 2025, dos quais R$ 37 bilhões correspondem à receita líquida apurada pelas empresas operadoras

por: NOVO Notícias

Publicado 25 de setembro de 2026 às 09:22

A avaliação do governo federal em torno da proibição do mercado de apostas virtuais no Brasil gera divergências entre os reflexos socioeconômicos de curto e longo prazos. Por um lado, analistas do comércio e da área de saúde pública apontam que a medida tem capacidade para desacelerar o endividamento crônico das famílias e reduzir custos sanitários relacionados à dependência em jogos. Por outro, entidades ligadas à publicidade, ao esporte e à própria indústria de jogos advertem para um impacto fiscal imediato, que inclui a renúncia anual de até R$ 30 bilhões em tributos para a União e a perda de patrocínios milionários no futebol e na televisão.

O setor movimentou cerca de R$ 220 bilhões em faturamento bruto estimado em 2025, dos quais R$ 37 bilhões correspondem à receita líquida apurada pelas empresas operadoras. Conforme levantamento da LCA Consultores, as despesas dos apostadores comprometem 0,46% do orçamento familiar e 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, o que equivale a uma despesa média mensal individual de R$ 122 por apostador. Em contrapartida, dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam que os desembolsos com jogos superam R$ 30 bilhões por mês e levaram 268 mil famílias à condição de inadimplência severa, com atrasos superiores a 90 dias em contas básicas.

A migração de recursos do consumo primário para as plataformas de apostas é apontada como um dos fatores de retração no comércio varejista. Segundo a consultoria Varese Retail, a movimentação financeira das bets atingiu o equivalente a 10% da receita do varejo tradicional, impulsionada por mecanismos de bonificação contínua e pela busca da população por complementação de renda. O cenário também gerou manifestações formais de associações empresariais como o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), que defende o encerramento das atividades para frear os danos econômicos e à saúde coletiva causados pela proliferação de casos de ludopatia.

No segmento de mídia e esportes, o encerramento do setor ameaça uma das principais fontes recentes de receita corporativa. Investimentos publicitários de grandes operadoras alcançaram R$ 3,1 bilhões em campanhas na imprensa, enquanto os maiores clubes de futebol do país acumulam mais de R$ 1,1 bilhão por ano em patrocínios esportivos em contratos fechados com marcas do setor. Algumas empresas já começaram a emitir comunicados preliminares de rescisão a emissoras de televisão. Representantes da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (ABAP) e da Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro) defendem que a melhor alternativa seria a consolidação de diretrizes de controle restritivo e proteção ao usuário nos mesmos moldes aplicados ao tabaco e às bebidas alcoólicas, evitando a paralisação abrupta das receitas do setor de comunicação.

Por sua vez, as entidades que representam as empresas de apostas sustentam que a restrição não diminuirá a procura da população e acabará fortalecendo o mercado clandestino. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) calcula que um eventual veto aos cassinos virtuais transferiria de 41% para 82% a participação de sites sem registro nacional. Na mesma linha, o Instituto Brasileiro do Jogo Responsável (IBJR) projeta que a eliminação dos sites autorizados consolidará um mercado ilegal estimado em R$ 100 bilhões, ampliando a exposição de menores de idade e deixando de recolher bilhões em tributos federais e taxas de outorga previamente fixadas em R$ 30 milhões por grupo econômico habilitado.  

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