Flávio voltou dos EUA em jato ligado a Vorcaro antes de repasse de R$ 10 milhões. | Foto: Reprodução
Aeronave de prefixo PP-NLR foi usada pelo senador em janeiro de 2025 e pelo ministro do STF em agosto; viagem de Flávio ocorreu durante negociações sobre o financiamento de “Dark Horse”
Publicado 24 de setembro de 2026 às 13:21
O senador Flávio Bolsonaro (PL) voltou dos Estados Unidos para Brasília, em janeiro de 2025, em um jato que tinha entre os proprietários uma empresa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Meses depois, a mesma aeronave, de prefixo PP-NLR, foi usada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A viagem foi revelada pela revista piauí nesta quarta-feira (23). O voo ocorreu em 19 de janeiro de 2025, na véspera da posse de Donald Trump. Flávio estava acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas.
O avião é um Legacy 650. Segundo a reportagem, a propriedade da aeronave estava registrada em nome da Fraction 024, dividida em três cotas. Uma delas pertencia ao advogado e empresário Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal no caso de fraudes em benefícios do INSS. Outra estava ligada ao empresário Laércio Cosentino, fundador da TOTVS. A terceira havia sido adquirida pela Prime You, empresa da qual Vorcaro era sócio.
Segundo dados citados pela piauí, Vorcaro foi sócio da Prime You de 2021 a setembro de 2025. Tomaz confirmou à revista que possuía uma das cotas da empresa proprietária do avião e disse que a Prime You administrava a aeronave e organizava os voos.
Tomaz também disse que costumava oferecer lugares vagos no avião a amigos que viajavam para os mesmos destinos, sem cobrar por isso ou exigir qualquer contrapartida. Ele não informou, porém, se Flávio e seus familiares estavam no voo a convite dele.
O senador e a defesa de Vorcaro não responderam aos questionamentos da revista.
A viagem de Flávio ocorreu enquanto eram negociados recursos para “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. Segundo a piauí, Vorcaro teria destinado pelo menos R$ 65 milhões à produção.
O calendário citado pela revista previa um primeiro repasse de US$ 2 milhões em 20 de janeiro, um dia depois da viagem de Flávio. Na mesma data, segundo a reportagem, o senador cobrou de um intermediário uma resposta do departamento jurídico do investidor. Segundo a revista, o pagamento foi feito em 13 de fevereiro.
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Meses depois, imagens de Moraes desembarcando da mesma aeronave foram divulgadas. Na ocasião, Flávio criticou o ministro nas redes sociais.
O fato de os dois terem usado a mesma aeronave não significa, porém, que tenham viajado juntos. As viagens ocorreram em datas diferentes e não há, no material citado, informação de que os dois tenham viajado juntos.
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