Donald Trump é apontado pelo governo brasileiro como parte da pressão política monitorada | Foto: Reprodução
Governo acompanha manifestações de Trump e Rubio, suspeitas de impulsionamento e financiamento externo e encontros de autoridades dos EUA com influenciadores brasileiros
Publicado 23 de setembro de 2026 às 13:08
O governo brasileiro monitora quatro frentes de possível interferência dos Estados Unidos nas eleições de 2026. Segundo avaliação do Palácio do Planalto, a pressão já estaria em curso e poderia aumentar até o segundo turno. A informação foi divulgada pela CNN Brasil nesta quarta-feira (23).
A primeira frente envolve o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio. O governo avalia que os EUA poderiam repetir no Brasil manifestações públicas de apoio a candidatos de direita, como ocorreu recentemente na Colômbia e em Honduras.
A segunda suspeita envolve impulsionamentos pagos de perfis favoráveis a Flávio Bolsonaro a partir dos Estados Unidos. A suspeita é levantada pelo PT e também pelo candidato Renan Santos (Missão). A campanha de Flávio nega a existência de impulsionamento estrangeiro.
O terceiro ponto é a suspeita de financiamento da candidatura de Flávio por meio do fundo Rockbridge Network. A suspeita foi levantada publicamente por Renan Santos e depois levada pelo PT ao Supremo Tribunal Federal (STF), que foi acionado para apurar o possível custeio estrangeiro. A campanha de Flávio nega a acusação. A legislação brasileira proíbe doações de origem estrangeira a partidos e candidatos.
A quarta frente envolve encontros de autoridades americanas com influenciadores brasileiros de direita. Segundo integrantes do PT citados pela CNN, as conversas teriam servido para apresentar a visão dos Estados Unidos sobre a eleição brasileira. Oficialmente, os encontros trataram de liberdade de expressão e ambiente digital.
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O tema ganhou peso após um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) enviado no fim de agosto ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo a agência, a possibilidade de influência dos EUA nas eleições chegou a um “nível de criticidade”, com indicação de uma tendência de escalada da pressão sobre o Brasil.
As quatro frentes citadas pela CNN são tratadas pelo governo como possibilidades em monitoramento, e não como interferências já comprovadas. A própria análise diferencia o alinhamento ideológico entre setores do bolsonarismo e do trumpismo de uma eventual prática de financiamento estrangeiro, que é proibida pela legislação eleitoral.
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