Jair Bolsonaro (PL), Michelle e o ex-ministro Onyx Lorenzoni em culto durante o mandato do ex-presidente, marcado pela aproximação com evangélicos

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Política Fiéis rejeitam política nas igrejas, aponta pesquisa do Iser e da Quaest

Estudo apontou que oito em cada dez entrevistados rejeitam discussões políticas na comunidade religiosa; influência migra para as redes sociais

por: NOVO Notícias

Publicado 20 de setembro de 2026 às 14:10

A expressiva maioria da população brasileira rejeita o uso de espaços religiosos para fins político-partidários, de acordo com o estudo “Religião e Vida Pública no Brasil”, realizado pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a consultoria Quaest. O levantamento, que realizou 15 mil entrevistas presenciais em todas as regiões do país, apontou que oito em cada dez pessoas são contrárias à discussão de política dentro das igrejas, e nove em cada dez entrevistados rejeitam que líderes de suas comunidades autorizem a presença ou o discurso de candidatos nos templos.

As margens de recusa sobre a associação entre campanha eleitoral e ritos religiosos apresentaram índices semelhantes entre os estratos de fiéis católicos, evangélicos e praticantes de outras religiões. Apesar da rejeição declarada pelo público frequentador, a pesquisa identificou que a tentativa de influência política por parte dos líderes religiosos é uma prática ativa.

Ao serem questionados sobre o comportamento dos líderes de suas comunidades na eleição de 2022, 11% dos entrevistados relataram ter recebido orientação direta para votar no então presidente Jair Bolsonaro (PL), enquanto 5% receberam instrução para votar em Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre as denominações evangélicas, a pressão do púlpito foi mais intensa: 20% dos protestantes (igrejas batistas e presbiterianas) e 23% dos pentecostais (Assembleia de Deus, Universal e Quadrangular) afirmaram ter sido orientados por pastores a depositar o voto no candidato de direita.

Desmistificação do “voto evangélico único”

A antropóloga Lívia Reis, coordenadora do Iser, ressalta que os resultados da pesquisa desmistificam a ideia de um “voto evangélico” obediente e homogêneo. A pesquisadora pontua que a religião atua como apenas um dos marcadores sociais de influência sobre o eleitor, não possuindo controle unânime. Como exemplo, Reis cita que, a despeito do apoio de líderes das grandes denominações à reeleição de Bolsonaro em 2022, Lula obteve 35% dos votos evangélicos no Nordeste, região de forte atuação do PT.

“Não se trata de o pastor mandar e o fiel obedecer. A igreja é uma rede de confiança. É nesse sentido que uma liderança pode acabar influenciando o voto. Mas também há o inverso, pessoas que deixam a igreja reclamando da insistência do pastor de indicar voto”, analisou a coordenadora, apontando que a dinâmica varia internamente em cada igreja (na Universal, 26% dos fiéis concordam com a indicação de votos, o dobro da média geral da pesquisa).

Disputa migra para as redes sociais e “batalhas espirituais”

Com a recusa dos fiéis à política institucional no altar, as campanhas e as lideranças religiosas mais radicais transferiram a disputa de narrativas para as redes sociais. A pesquisa Iser/Quaest constatou que, entre os entrevistados que participam de grupos online de comunidades religiosas, 48% afirmaram que outros integrantes compartilham conteúdo político com frequência em grupos no Facebook, e 34% presenciam a mesma prática nos grupos de WhatsApp (com maior incidência entre católicos praticantes e pentecostais).

O antropólogo Flávio Conrado, autor do relatório “Narrativas evangélicas e contexto eleitoral”, avalia que, na eleição de 2026, os pastores passaram a utilizar essas plataformas para circunscrever o voto religioso no espectro da direita. Na avaliação de Conrado, o discurso tem utilizado o embate do ministro André Mendonça — evangélico indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Bolsonaro — contra o ministro Alexandre de Moraes como pretexto de pauta eleitoral.

A tese de Conrado é referendada pela atuação de pastores como Silas Malafaia e a bispa Sonia Hernandes, que durante as manifestações do 7 de Setembro convocaram orações por Mendonça e enquadraram sua atuação no caso Master como uma “batalha espiritual” para “derrotar homens injustos” nas urnas. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), também participou do ato distribuindo camisetas com os dizeres “Força, Mendonça”.

No campo majoritário estadual de 2026, Flávio Bolsonaro (PL) tenta angariar o apoio do segmento adotando a promessa de indicar ministros conservadores (contra o aborto e as drogas) ao STF caso eleito. Em resposta, Lula tem rechaçado publicamente a instrumentalização partidária da fé, declarando que não montará comitês políticos no interior de igrejas.

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