Acusado tenta impedir julgamento que pode levá-lo ao júri no RN. | Foto: Reprodução

Cotidiano

JUSTIÇA Caso dos 61 socos no elevador: defesa tenta barrar julgamento de acusado por tentativa de feminicídio no RN

Defesa de Igor Cabral recorre ao TJRN para tentar anular processo que pode levá-lo a júri popular pela acusação de tentativa de feminicídio contra Juliana Garcia

por: NOVO Notícias

Publicado 26 de julho de 2026 às 12:27

Um ano após o ataque que chocou o RN, o homem acusado de espancar a namorada dentro de um elevador, em Natal, tenta impedir o avanço do processo que pode levá-lo a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Igor Eduardo Pereira Cabral, ex-jogador de basquete, responde por tentativa de feminicídio contra a promotora de vendas Juliana Garcia dos Santos Soares. A defesa recorreu ao Tribunal de Justiça do RN (TJRN) e pede a anulação do processo, segundo informações do portal BnewsRN.

O caso aconteceu em 26 de julho de 2025, em um condomínio na Zona Sul de Natal. Imagens das câmeras de segurança registraram o momento em que Juliana foi atingida por 61 socos em menos de um minuto dentro do elevador.

Juliana foi agredida com 61 socos dentro de um elevador em condomínio de Ponta Negra, Zona Sul de Natal. | Foto: Reprodução

A gravação teve ampla repercussão e o acusado foi preso em flagrante ainda no local. Desde então, Igor Cabral permanece detido na Cadeia Pública Dinorá Simas, em Ceará-Mirim, enquanto aguarda o andamento da ação penal.

Em primeira instância, a Justiça decidiu que o caso deve ser submetido ao Tribunal do Júri. A 1ª Vara Criminal de Natal rejeitou o pedido da defesa para desclassificar a acusação de tentativa de feminicídio para lesão corporal.

Na decisão, o juízo considerou que a violência das agressões, concentradas na cabeça e no rosto da vítima, indicaria, em tese, elementos suficientes para impedir, naquele momento do processo, o afastamento da hipótese de intenção de matar.

Agora, a defesa tenta anular o processo ao alegar uma suposta irregularidade na fase de apresentação das alegações finais. Segundo os advogados, houve falha no prazo concedido para a manifestação da assistente de acusação.

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O juízo da 1ª Vara Criminal informou ao TJRN que a assistente de acusação não apresentou alegações e afirmou que a defesa poderia ratificar ou alterar seus argumentos caso houvesse manifestação. O recurso será analisado pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça.

O julgamento pelo Tribunal do Júri só poderá ser marcado após o encerramento das possibilidades de recurso contra a decisão que determinou que Igor Cabral seja levado a julgamento.

Tentativa de feminicídio

Juliana Garcia, de 35 anos, foi agredida após uma discussão com Igor Cabral dentro do elevador do condomínio onde morava. Após o ataque, moradores conseguiram conter o acusado até a chegada da Polícia Militar. Juliana foi levada ao Pronto-Socorro Clóvis Sarinho com fraturas no rosto, deslocamento da mandíbula e perda parcial da visão.

Juliana Garcia sofreu agressões dentro de elevador em Natal | Foto: Reprodução

O caso também gerou mudanças legislativas em municípios potiguares. Câmaras municipais aprovaram medidas que passaram a ser conhecidas como “Lei Juliana”, com regras relacionadas à proteção de mulheres vítimas de violência e restrições para condenados por feminicídio assumirem cargos públicos.

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