Trump afirma que pretende impedir que países de fora do Hemisfério Ocidental aumentem sua presença ou controlem áreas consideradas importantes para a segurança dos Estados Unidos. | Foto: Getty Images
Departamento de Estado dos EUA retoma a Doutrina Monroe e afirma que Washington deve manter a liderança no Hemisfério Ocidental em meio à disputa com China e às tensões com o Brasil
Publicado 11 de agosto de 2026 às 20:02
O governo dos Estados Unidos voltou a destacar a influência americana no Hemisfério Ocidental e retomou a Doutrina Monroe como referência para sua política externa na região. A posição foi apresentada em uma publicação divulgada nesta terça-feira (11) pelo Departamento de Estado. A estratégia está alinhada à política externa do governo Donald Trump, que defende uma presença predominante dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental.
Em janeiro, após a operação militar americana que capturou Nicolás Maduro, então presidente da Venezuela, Trump afirmou que, pela nova estratégia de segurança dos Estados Unidos, a “dominância americana no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionada”.
A Doutrina Monroe foi apresentada pelo presidente americano James Monroe, em 1823. Na época, os Estados Unidos defenderam que países europeus não deveriam criar novas colônias nem ampliar sua interferência política nas Américas. Com o passar dos anos, o conceito foi usado pelo governo americano para justificar diferentes ações dos Estados Unidos na região.
Em 1904, o presidente Theodore Roosevelt apresentou uma interpretação mais ampla da política, defendendo a possibilidade de intervenção americana em países latino-americanos em determinadas circunstâncias consideradas ameaças aos interesses dos Estados Unidos.
A atual estratégia do governo Trump recupera parte dessa visão em um cenário diferente. Washington afirma que pretende impedir que países de fora do Hemisfério Ocidental ampliem sua presença ou controlem áreas consideradas importantes para a segurança dos Estados Unidos.
Entre as preocupações citadas pelo governo americano estão China, Rússia, tráfico de drogas, imigração irregular e organizações criminosas que atuam em mais de um país. Em janeiro, Trump também defendeu uma atuação mais assertiva dos Estados Unidos na região e destacou interesses econômicos e estratégicos americanos.
A Venezuela se tornou um dos principais exemplos dessa postura de Washington. Em janeiro, forças americanas realizaram a Operação Absolute Resolve, que terminou com a captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, segundo informações divulgadas pelo governo dos Estados Unidos.
A operação colocou a atuação dos Estados Unidos na Venezuela no centro do debate sobre a política de Washington para o Hemisfério Ocidental. A referência à Doutrina Monroe ocorre ainda em meio à disputa de influência entre Washington e China na América Latina, onde Pequim ampliou sua presença comercial e econômica.
A disputa também alcança o Brasil. O governo brasileiro abriu consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O pedido foi apresentado em agosto de 2025 e continua registrado no sistema de solução de controvérsias da organização.
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Nesta terça-feira (11), a China pediu para participar das consultas iniciadas pelo Brasil, segundo informações divulgadas sobre o caso. A entrada de Pequim acrescenta um novo componente à disputa, já que a China é um dos principais parceiros comerciais brasileiros.
O movimento aproxima a disputa comercial de uma questão mais ampla: a competição por influência entre Estados Unidos e China na América Latina.
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