Donald Trump é apontado pelo governo brasileiro como parte da pressão política monitorada | Foto: Reprodução

Política

POLÍTICA Senadores democratas acusam Trump de interferir nas eleições brasileiras

Três senadores dos EUA enviaram carta a Marco Rubio e questionaram se o governo Trump reconhecerá o resultado das eleições brasileiras de 2026

por: NOVO Notícias

Publicado 29 de setembro de 2026 às 14:26

Três senadores democratas dos Estados Unidos acusaram o governo de Donald Trump de interferir na eleição brasileira de 2026 e citaram a aproximação do presidente americano com o candidato Flávio Bolsonaro (PL) como um dos exemplos dessa atuação. Em carta enviada ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, eles também perguntaram se os Estados Unidos vão reconhecer o resultado certificado das eleições brasileiras, independentemente de quem for eleito.

A carta é assinada pelos senadores Peter Welch, Tim Kaine e Jeanne Shaheen, os dois últimos integrantes do Comitê de Relações Exteriores do Senado. Segundo os parlamentares, o governo Trump vem adotando medidas diplomáticas, econômicas e políticas que, na avaliação deles, pressionam o Brasil e podem interferir no processo eleitoral.

Os senadores citam como exemplo a reunião de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, com Trump no Salão Oval da Casa Branca. Para eles, o encontro reforça a preocupação com uma possível interferência americana na eleição brasileira. A reunião ocorreu em um momento delicado da campanha de Flávio, que enfrentava questionamentos relacionados a pedidos de dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Na carta, os senadores também comparam a atuação do governo Trump com a postura dos Estados Unidos em 2022. Eles lembram que os americanos reconheceram rapidamente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva e, após os ataques de 8 de janeiro de 2023, manifestaram apoio ao governo eleito e às instituições democráticas brasileiras.

Cobrança a Trump

Os senadores perguntaram se o governo Trump se comprometerá a reconhecer o resultado certificado das eleições brasileiras de 2026 e a manter relações diplomáticas normais com o candidato escolhido pelo eleitorado.

A carta foi enviada menos de uma semana depois de outro documento sobre o tema, assinado pelo senador independente Bernie Sanders e por 30 deputados democratas. O grupo também questionou a atuação do governo Trump em relação ao Brasil.

O documento também cita Darren Beattie, assessor do Departamento de Estado para assuntos relacionados ao Brasil, como uma das figuras da política do governo Trump para o país.

Na carta, os senadores descrevem Beattie como um extremista de direita e supremacista branco. Também afirmam que ele tem um histórico de declarações que, na avaliação deles, demonstra alinhamento ideológico com setores da direita brasileira e posições críticas às instituições democráticas do país.

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Beattie já havia trabalhado no primeiro governo Trump como redator de discursos da Casa Branca. Ele deixou o governo em 2018 após a divulgação de sua participação em uma conferência ligada a nacionalistas brancos.

Fora do governo, Beattie criou o site Revolver News, que passou a publicar conteúdos com teorias conspiratórias sobre acontecimentos políticos nos Estados Unidos. Entre os temas abordados pelo site estão alegações de que agentes federais teriam participado dos ataques ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021.

A carta dos senadores também cita a atuação de Beattie e outras medidas adotadas pelo governo Trump como motivos para questionar a política americana em relação ao processo eleitoral brasileiro.

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