Sangue de gato coletado de forma clandestina era revendido por até R$ 800 no interior paulista

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Maldade Sangue de gato coletado de forma clandestina era revendido por até R$ 800 no interior paulista

Denúncia do Ministério Público aceita pela 2ª Vara de Monte Alto apura crimes de maus-tratos e associação criminosa; laudos apontam risco de morte por hipovolemia

por: NOVO Notícias

Publicado 20 de setembro de 2026 às 10:30

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público e tornou rés cinco pessoas investigadas por operar um esquema clandestino de coleta e comercialização de sangue de gatos no município de Monte Alto, no interior do estado. De acordo com o inquérito conduzido pela Polícia Civil, os tutores recebiam R$ 50 por animal disponibilizado, enquanto as bolsas contendo cerca de 50 ml de sangue eram revendidas no mercado por valores que variavam entre R$ 500 e R$ 800.

A decisão judicial foi assinada no dia 10 de setembro pela juíza Suellen Rocha Lipolis, da 2ª Vara de Monte Alto. Do total de réus, três respondem pelos crimes de maus-tratos contra animais e associação criminosa. Outros dois acusados respondem apenas pelo delito de associação criminosa, uma vez que as condutas de maus-tratos atribuídas a eles já são alvos de um processo criminal autônomo. A acusação formal do Ministério Público nesta ação penal concentra-se em atos cometidos contra seis gatos resgatados.

Método de extração e pagamentos a intermediários

As investigações da Polícia Civil apontam que as coletas de sangue eram executadas sem as condições sanitárias adequadas por um estudante do segundo ano de medicina veterinária matriculado na modalidade a distância. Os animais eram sedados com o uso de substâncias como quetamina e dexmedetomidina para a retirada de aproximadamente 48 ml de sangue por felino, volume que era fracionado em três seringas identificadas com o nome do animal e do respectivo tutor. Durante as diligências, as autoridades apreenderam tubos de coleta, agulhas do tipo escalpe e bolsas térmicas de acondicionamento.

A apuração contábil identificou a remuneração de pessoas encarregadas de realizar a captação e o transporte dos animais domésticos. Nos comprovantes financeiros analisados constam o pagamento de diárias de R$ 180, auxílio-alimentação de R$ 25, transferências eletrônicas via Pix no valor de R$ 1.080 e repasses de R$ 400 destinados a uma intermediária local.

Escala investigada e riscos à saúde dos animais

Embora a denúncia do Ministério Público trate formalmente de maus-tratos contra seis gatos, depoimentos e registros de mensagens telefônicas revelam que o volume de procedimentos pode ter sido maior. O inquérito policial registra que, na data da abordagem das autoridades, o grupo já havia realizado a extração de sangue de 28 animais e que outros 38 felinos teriam passado pelo procedimento em uma viagem anterior a Monte Alto. Mensagens de setembro de 2025 também faziam referência a uma encomenda envolvendo 25 gatos.

Laudos veterinários anexados aos autos indicaram que os gatos periciados encontravam-se desnutridos, abaixo do peso ideal e em risco de morte por hipovolemia (redução severa do volume de sangue no corpo decorrente da retirada excessiva). O Instituto de Criminalística da Polícia Civil informou no processo que não dispõe de metodologia técnica validada para a identificação laboratorial de material biológico animal, razão pela qual os laudos periciais não foram considerados conclusões absolutas sobre a totalidade das amostras apreendidas no local.

Origem da denúncia

O caso começou a ser investigado em outubro de 2025, quando uma moradora identificou um anúncio na internet que oferecia a quantia de R$ 50 para pessoas que levassem gatos para coleta de sangue. A testemunha simulou interesse na proposta e acionou a Guarda Municipal para averiguar o endereço. Três pessoas foram presas em flagrante à época e passaram a responder ao processo em liberdade, culminando na deflagração da segunda fase da investigação que levou à denúncia dos cinco envolvidos.

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