André Mendonça e Alexandre de Moraes, ministros do STF | Foto: Reprodução
Relatórios da Polícia Federal (PF) enviados ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontam que o ministro André Mendonça teria adotado critérios e prazos distintos ao analisar pedidos de investigação relacionados ao caso do Banco Master. Diante do acirramento da crise interna na Corte, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, determinou o prazo de cinco dias úteis para que Moraes, Mendonça, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a própria PF apresentem esclarecimentos oficiais sobre a condução do processo.
Nos documentos, a PF comparou os procedimentos de Mendonça em relação às denúncias contra os senadores Weverton Rocha (PDT-MA) e Ciro Nogueira (PP-PI), afirmando que o relator exigiu padrões de prova diferentes para cada situação. No caso de Ciro Nogueira, os dados indicam indícios sobre a chamada “emenda Master” — proposta que elevava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A minuta da proposta teria sido elaborada por pessoas ligadas ao banco, enviada à residência de Ciro e, posteriormente, apresentada no Senado.
Alcolumbre apontado como provável alvo estratégico
Os relatórios também citam o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), classificando-o como um “provável alvo estratégico”. A corporação associa essa hipótese ao peso político de Alcolumbre e à sua prerrogativa de pautar processos de impeachment contra ministros da Suprema Corte. A PF levanta como linha de investigação o histórico de atritos políticos entre Alcolumbre e Mendonça, ocorridos durante o processo de indicação deste ao STF no governo Jair Bolsonaro.
A análise destacou ainda disparidades nos prazos de tramitação sob a relatoria de Mendonça: uma medida ligada ao senador Jaques Wagner levou 9 dias para ser examinada, enquanto o caso de Ciro Nogueira demandou 29 dias e um procedimento envolvendo o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, levou 75 dias. A PF ressaltou que as variações temporais merecem atenção, embora não tenha afirmado que tenham sido usadas de forma deliberada para beneficiar ou prejudicar os investigados.
A crise no STF intensificou-se após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de relatórios com diálogos do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, que mostravam contatos entre o empresário e Alexandre de Moraes. Moraes, por sua vez, utilizou os relatórios da PF sobre a disparidade de tratamento para fundamentar um pedido de investigação sobre a conduta de Mendonça no caso.
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