Dupla Jorge e Mateus recebeu R$ 556 mil por apresentação na Expofar, em Fartura (SP). | Foto: Prefeitura de Fartura (SP)
Emenda de R$ 1,1 milhão destinada a investimentos bancou cachês de três duplas sertanejas; fiscalização do TCE-SP apontou desvio de finalidade, e caso foi denunciado pela atual gestão
Publicado 3 de novembro de 2026 às 16:29
Uma emenda Pix de R$ 1,1 milhão, enviada pela União ao município de Fartura, no interior de São Paulo, para investimentos, foi usada no pagamento de shows sertanejos. Entre as atrações contratadas estava a dupla Jorge e Mateus, que recebeu R$ 556 mil. O caso foi comunicado ao governo federal pela atual gestão municipal após a identificação de irregularidades na aplicação dos recursos, conforme reportagem do Metrópoles.
Além da dupla, foram contratados Ícaro e Gilmar, por R$ 344 mil, e Clayton e Romário, por R$ 240 mil. Somados, os três cachês chegaram a R$ 1,14 milhão.
As apresentações ocorreram na Expofar, festa agropecuária realizada em abril de 2024. Segundo a prefeitura, os pagamentos foram feitos com recursos de emendas parlamentares que deveriam ser destinados a investimentos. No orçamento municipal, a verba estava registrada na rubrica de obras e instalações.
A contratação de Jorge e Mateus também provocou reação política em Recife, capital de Pernambuco. A vereadora Jô Cavalcanti (PSOL) apresentou um projeto de lei na Câmara Municipal para impedir que a prefeitura utilize dinheiro público na contratação de artistas que pratiquem racismo ou xenofobia contra pernambucanos e nordestinos.

A iniciativa ocorreu após o anúncio de uma apresentação da dupla na capital pernambucana. Os artistas foram alvo de polêmica por declarações feitas durante o período eleitoral, consideradas ofensivas ao Nordeste. Nas redes sociais, a vereadora defendeu que recursos públicos não sejam destinados a artistas que desrespeitem a população da região.
As contratações foram feitas durante a administração do então prefeito Luciano Peres, conhecido como Luciano Filé. Ele perdeu a eleição de 2024 para Marcão do Haras, atual prefeito do município.
Em julho de 2025, a nova gestão informou o caso ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), após identificar inconsistências na aplicação dos recursos.
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De acordo com documentos encaminhados ao Transferegov, o TCE-SP constatou desvio de finalidade na utilização da verba. A prefeitura também informou que os recursos foram depositados em uma conta que recebeu outras duas emendas parlamentares, indicadas pelos deputados Capitão Augusto (PL-SP) e Paulo Teixeira (PT-SP).

As três transferências foram destinadas ao município em 2023. Além dos R$ 1,1 milhão indicados pelo ex-deputado Samuel Moreira (PSD-SP), houve repasses de R$ 500 mil de Capitão Augusto e R$ 100 mil de Paulo Teixeira.
Em manifestação à coluna do Metrópoles, Samuel Moreira afirmou que nunca destinou emendas para a realização de shows e disse esperar que os fatos sejam apurados e as medidas cabíveis sejam tomadas.
A Prefeitura de Fartura informou que encaminhou a documentação aos órgãos responsáveis após identificar as inconsistências. O MGI, por sua vez, explicou que a responsabilidade pela aplicação das emendas Pix, pelas contratações e pelos pagamentos é do município beneficiado.
Segundo o ministério, o relatório final da emenda já foi apresentado pela prefeitura no Transferegov, mas ainda não havia sido analisado pelo órgão federal responsável. Por isso, a aplicação dos recursos não tinha recebido atestado de regularidade. O ex-prefeito Luciano Peres foi procurado, mas não respondeu até a publicação. O espaço permanece aberto.
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