Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. | Foto: Reprodução/X

INVESTIGAÇÃO PF aponta que bet ligada a investigado do INSS pagou voos de Flávio na Europa

Documentos citados na investigação da PF apontam ao menos três trechos de voos executivos usados por Flávio Bolsonaro na Europa, em 2025. O senador diz que é amigo do advogado Willer Tomaz. A defesa afirma que o advogado pagou as viagens

por: NOVO Notícias

Publicado 16 de outubro de 2026 às 15:08

Documentos de uma investigação da Polícia Federal (PF) apontam que uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz contratou ao menos três trechos de voos em jatos executivos usados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) em viagens pela Europa, em 2025. Willer é investigado por suspeita de envolvimento em fraudes contra o INSS. Os voos incluíram trajetos entre Portugal e França.

Os registros indicam um voo de Lisboa para Nice em 11 de abril de 2025. Em 23 de maio, os trajetos foram de Cascais para Nice e, depois, para Paris. Segundo documentos citados pela Folha de S.Paulo, Flávio e Willer viajaram com familiares em parte dos percursos.

Empresa está ligada a plataforma de apostas

A Cathedral Holdings, empresa registrada em Portugal, contratou os voos, segundo os documentos citados. Ela é a única acionista da Rede Loto, dona da plataforma de apostas BestBet. Willer Tomaz e Jorge Barbosa Dias estão entre os sócios da Cathedral.

Willer é investigado por suspeita de envolvimento em repasses de dinheiro ligados a fraudes contra a Previdência. Os registros dos voos, por si só, não comprovam que os recursos usados nas viagens tenham origem ilegal.

Investigação apura movimentações milionárias

Willer Tomaz também é citado em investigações da Polícia Federal sobre suspeitas de lavagem de dinheiro ligadas a descontos indevidos nos benefícios do INSS. Segundo reportagens da Folha de S.Paulo e do Metrópoles, um relatório policial identificou movimentações financeiras de R$ 45,5 milhões atribuídas ao advogado entre maio e novembro de 2021.

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A PF também registrou um pagamento de R$ 120 mil feito por Tomaz a Milton Salvador de Almeida Júnior. Ele se tornou diretor de empresas ligadas a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

A defesa de Tomaz nega irregularidades. Segundo os advogados, as movimentações foram legais, decorreram de serviços profissionais e não têm relação com as fraudes investigadas.

O que dizem os envolvidos

Em nota, a defesa de Willer afirmou que as viagens foram passeios de lazer entre amigos e familiares, pagos pelo advogado, sem qualquer contrapartida. Também negou que haja fundamento para associar o nome dele a práticas ilícitas.

Flávio Bolsonaro afirmou que é apenas amigo de Willer e considerou infundadas as suspeitas de irregularidade.

Segundo a Folha de S.Paulo, a Rede Loto recebeu autorização da Loterj, órgão do governo do Rio de Janeiro, para operar em maio de 2023.