RN reconhece experiência de Paulo Freire que alfabetizou adultos em 40 horas. | Foto: Divulgação
A experiência de alfabetização coordenada por Paulo Freire em Angicos, no interior do Rio Grande do Norte, em 1963, agora é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado. A lei foi publicada no Diário Oficial desta terça-feira (27).
Conhecida como “40 Horas de Angicos”, a iniciativa deixou registros, relatos e práticas pedagógicas que fazem parte da história da educação brasileira. A lei prevê a preservação dessa memória e incentiva pesquisas e ações para transmitir esse legado às futuras gerações.
A experiência começou em janeiro de 1963 e reuniu trabalhadores que participaram das atividades de alfabetização. Os números de inscritos e concluintes devem ser conferidos na fonte histórica antes da publicação.

A proposta pedagógica de Paulo Freire partia das experiências e da realidade dos próprios alunos. O trabalho com palavras relacionadas ao cotidiano ajudava a aproximar o aprendizado da leitura e da escrita da vida dos participantes.
A iniciativa teve articulação política no governo de Aluízio Alves, com participação do então secretário estadual de Educação, Calazans Fernandes. Havia planos de ampliar o programa para outras regiões, mas o golpe militar de 1964 interrompeu o contexto político em que a experiência foi desenvolvida. Freire acabou exilado.
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O reconhecimento estadual não obriga as escolas a adotar o método de Paulo Freire nem altera os currículos da rede estadual. A lei também não substitui os procedimentos técnicos de inventário e registro necessários à proteção do patrimônio cultural.
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