Entre Dois Mundos: MPRN oferece denúncia e ex-servidora do Judiciário, advogado e chefe de facção viram réus por integrarem organização criminosa

Cotidiano

Infiltração Judiciário do RN torna réus três investigados por esquema em vara de execução penal

Denúncia do MPRN aponta atuação de ex-servidora, apenado e advogado para beneficiar integrantes de facção criminosa no sistema judicial

por: NOVO Notícias

Publicado 23 de julho de 2026 às 09:22

O Judiciário potiguar tornou réus a ex-servidora terceirizada Mayara Pereira Silva, o apenado Israel de Andrade Maciel e o advogado Evandson Domingos Gomes por envolvimento em um esquema criminoso na 1ª Vara Regional de Execução Penal. A decisão acolheu a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A investigação apurou a infiltração do grupo na estrutura judiciária para conceder benefícios a integrantes da facção Sindicato do Crime.

A denúncia é resultado da Operação Entre Dois Mundos, deflagrada pelo MPRN em 11 de dezembro de 2025. Segundo a apuração, a ex-servidora utilizava o acesso ao Sistema Eletrônico de Execução Unificado para alterar movimentações e elaborar minutas de decisões. Ela manipulou o processo do companheiro, o apenado Israel de Andrade Maciel, resultando na progressão de regime e na retirada da tornozeleira eletrônica do detento. Ela também vazava informações sigilosas e peticionava para outros presos da facção.

O réu Israel de Andrade Maciel atuava como agenciador do esquema na busca por facilidades judiciais para outros detentos, além de gerenciar o comércio de drogas e negociar armas de fogo. O advogado Evandson Domingos Gomes facilitava as ações ao ceder o certificado digital para os peticionamentos da ex-servidora e atuava como mensageiro entre lideranças presas e membros soltos do grupo. O MPRN não identificou indícios de participação de outros servidores ou autoridades do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN).

Os três réus respondem pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, além de tipificações específicas para cada conduta. Durante o cumprimento dos mandados da operação, as equipes apreenderam aparelhos celulares, um notebook, o certificado digital do advogado, dinheiro em espécie, uma arma de fogo e munições.

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