Donald Trump sofreu uma derrota eleitoral histórica, com a perda do controle do Congresso pelos republicanos. | Foto: Reprodução

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TROCO NAS URNAS Guerra, preços altos e corrupção pesam em derrota de Trump no Congresso

Democratas conquistam maioria na Câmara e no Senado; insatisfação com a economia e guerra contra o Irã marcaram as eleições

por: NOVO Notícias, com informações da Agência Brasil

Publicado 4 de novembro de 2026 às 15:31

A insatisfação com a economia, a oposição à guerra contra o Irã e as preocupações com possíveis conflitos de interesse envolvendo os negócios da família Trump marcaram as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (3). Os democratas conquistaram a maioria na Câmara e no Senado, encerrando o domínio republicano nas duas Casas do Congresso.

O resultado representa uma derrota importante para Trump, que participou pessoalmente da campanha para tentar manter os republicanos no comando do Legislativo. Os democratas também venceram disputas importantes em estados tradicionalmente conservadores, como Texas, Carolina do Sul, Kansas, Ohio e Iowa. No Texas, voltaram a eleger um senador depois de mais de três décadas.

O custo de vida apareceu entre as principais preocupações dos eleitores. Segundo pesquisa de boca de urna divulgada pela NBC News, 65% dos entrevistados afirmaram que as políticas de Trump pioraram a situação econômica. Outros 62% responsabilizaram o presidente pelos preços altos.

A guerra contra o Irã também encontrou resistência entre os eleitores. Os resultados das pesquisas de boca de urna apontaram forte insatisfação com a decisão de iniciar a ação militar contra o país.

Negócios da família Trump

Os negócios dos filhos de Trump também entraram no debate eleitoral. Reportagem do The Washington Post mostrou que 15 empresas com investimentos dos filhos do presidente somaram US$ 3,2 bilhões em negócios diretos com o governo federal. A maior parte desse valor foi registrada depois que o republicano voltou à Casa Branca.

O levantamento também levantou questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse entre os negócios privados da família e o governo. As empresas envolvidas, por sua vez, afirmaram ao jornal que os contratos foram obtidos por critérios técnicos, sem interferência da família Trump.

O professor de história James N. Green, da Universidade Brown, avaliou que a derrota foi maior do que os republicanos esperavam. Segundo ele, a insatisfação com os negócios da família do presidente também pode ter afastado eleitores que haviam apoiado Trump em eleições anteriores.

Derrota pressiona governo

Em entrevista à Agência Brasil, a professora de relações internacionais Camila Vidal, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), afirmou que muitos americanos esperavam que Trump desse prioridade aos problemas internos, principalmente ao custo de vida e às dificuldades financeiras das famílias.

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O professor de direito internacional Paulo Borba Casella, da Universidade de São Paulo (USP), também relacionou o resultado ao desgaste de governos de direita que, em sua avaliação, adotam políticas contrárias aos direitos das minorias e às garantias fundamentais.

A partir de janeiro, quando os novos parlamentares assumirem, os democratas terão mais força para barrar propostas de Trump, dificultar a aprovação de indicações e ampliar a fiscalização sobre o governo. A nova maioria também poderá abrir investigações sobre a administração republicana.

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