Documentos obtidos pelo Intercept descrevem sistema de inteligência artificial com recursos de influência política. | Foto: Reprodução/IA

Política

ELEIÇÕES 2026 Flávio pagou R$ 600 mil a empresa citada em denúncia sobre manipulação eleitoral por IA, diz portal

Documentos descrevem ferramenta que poderia mapear eleitores, criar contas falsas e espalhar desinformação. Campanha e empresa negam envolvimento com práticas ilegais

por: NOVO Notícias, com informações do Intercept Brasil

Publicado 22 de outubro de 2026 às 12:00

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência pelo PL, teve R$ 600 mil em pagamentos de campanha registrados para a empresa de cibersegurança Elytron. Segundo reportagem do Intercept Brasil, a companhia tentou vender nos Estados Unidos um sistema de inteligência artificial voltado à manipulação política em eleições.

Documentos entregues à reportagem por Vincent Edward Reed, ex-consultor da empresa, descrevem estratégias para mapear eleitores, criar contas falsas nas redes sociais, espalhar rumores e desacreditar adversários. O Intercept ressalta, porém, que não há evidências de que o sistema tenha sido usado pela campanha de Flávio ou pelo PL nas eleições de 2026.

Segundo o Intercept, Reed intermediou a apresentação da ferramenta a pessoas ligadas à campanha de Donald Trump nos Estados Unidos, em 2024. Não há confirmação de que a campanha republicana tenha contratado o sistema.

Reed afirmou que rompeu com a Elytron depois de conhecer os recursos da ferramenta e se preocupar com o uso que poderia ser feito dela. Ele disse ter denunciado o caso ao FBI e ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, mas afirmou que as investigações não avançaram.

Apresentação em inglês cita operações de ataque e defesa, unidades de infiltração e intervenção de um “exército digital”. Entre os objetivos, estão fazer ataques e interferências “silenciosas” e garantir uma “imagem de poder e controle”. | Foto: Reprodução

Os documentos mencionam o uso de dados para identificar grupos de eleitores por região, idade e posição política. Também descrevem a criação de contas falsas, a divulgação de rumores e o uso de imagens e vídeos manipulados por inteligência artificial para tentar influenciar a opinião pública.

Um trecho destaca estratégia para plantar uma opinião em grupos fortemente polarizados de acordo com localização geográfica, idade e engajamento político. | Foto: Reprodução

A pesquisadora Beatriz Farrugia, especialista em desinformação ouvida pelo Intercept, afirmou que o material descreve uma operação de influência política, com estratégias que vão além do monitoramento das redes sociais.

Uma das páginas da apresentação mostra que a operação parte do objetivo político e, depois, se divide em operações psicológicas, especiais e de opiniões. Entre as ações previstas, estão infiltração em redes de opositores, espalhar informações falsas e desacreditar adversários a partir da criação e disseminação de conteúdo. | Foto: Reprodução

Notas fiscais somam R$ 600 mil

Os registros da Justiça Eleitoral apontam R$ 600 mil em pagamentos da campanha de Flávio Bolsonaro à Elytron. O Intercept identificou três notas fiscais: duas de R$ 500 mil, uma delas cancelada, e outra de R$ 100 mil. Nas notas, os serviços aparecem como consultoria em tecnologia da informação, com referências a apoio forense, investigação de phishing, testes de segurança e monitoramento de infraestrutura.

Há, porém, uma diferença nos valores declarados. Na prestação de contas parcial entregue à Justiça Eleitoral no fim de setembro, a campanha informou R$ 1 milhão em despesas com a empresa. O PL também declarou um pagamento de R$ 131,9 mil à Elytron, registrado em julho de 2026 como prestação de serviços técnico-profissionais.

Campanha e empresa negam irregularidades

A campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que não contrata serviços que violem a legislação eleitoral. Disse que o contrato com a Elytron tinha como objetivo proteger informações e sistemas de comunicação contra ataques cibernéticos. Também classificou como uma tentativa de criar associação política a ligação entre a contratação e práticas de manipulação eleitoral.

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Após a publicação da reportagem, a Elytron negou oferecer ou realizar operações clandestinas de influência política, disseminação de informações falsas ou uso de deepfakes para manipular a opinião pública.

A empresa afirmou que seus serviços são voltados à segurança cibernética e da informação. Segundo a Elytron, os trabalhos prestados à campanha de Flávio e ao PL tinham finalidade preventiva e buscavam proteger sistemas, comunicações e informações dos contratantes.

Até o momento, a reportagem do Intercept não apresenta provas de que o sistema descrito nos documentos tenha sido usado para manipular eleitores brasileiros.

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