A defesa de Flávio Bolsonaro foi procurada pela reportagem, mas não respondeu de imediato à solicitação de posicionamento. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
A apuração da Reuters não confirmou a companhia do senador no voo, mas obteve junto a uma terceira fonte a informação de que as duas filhas do congressista não compareceram às respectivas escolas em Brasília nesta terça-feira
Publicado 27 de outubro de 2026 às 16:16
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fugiu para os Estados Unidos, segundo confirmação feita à agência Reuters nesta terça-feira (27) por um aliado próximo do parlamentar e por uma fonte do governo norte-americano. A saída do país ocorre após o parlamentar descumprir o prazo determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para a entrega de seus passaportes à Polícia Federal.
A apuração da Reuters não confirmou a companhia do senador no voo, mas obteve junto a uma terceira fonte a informação de que as duas filhas do congressista não compareceram às respectivas escolas em Brasília nesta terça-feira. A defesa de Flávio Bolsonaro foi procurada pela reportagem, mas não respondeu de imediato à solicitação de posicionamento.
Investigação e decisão judicial
A ordem de retenção dos passaportes foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes no escopo de um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz. Ambos negam a prática de irregularidades.
A medida cautelar foi determinada depois que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, declarou em transmissão nas redes sociais que Flávio deveria deixar o território brasileiro se perdesse o pleito presidencial para liderar a oposição a partir do exterior.
Na véspera do ocorrido, Flávio divulgou vídeo nas redes sociais negando planos de deixar o país e sustentando que permaneceria no Brasil para articular a oposição à gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no segundo turno contra o senador.
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Controle de fronteiras e repercussão internacional
Antes da confirmação de sua ida aos Estados Unidos, a localização do parlamentar era incerta em meio a relatos da imprensa argentina sobre sua entrada naquele país com destino final aos EUA. Na ocasião, a administração argentina declarou não possuir registros formais da entrada de Flávio.
Autoridades da Argentina chegaram a inspecionar uma aeronave particular e sua tripulação no Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú, na fronteira com o Brasil, informando em comunicado oficial que nenhum plano de voo listava integrantes da família do senador.
Em pronunciamento, um porta-voz do presidente argentino Javier Milei declarou que “não há pedido de asilo” e recusou-se a detalhar o caso. No Brasil, uma autoridade da Polícia Federal informou que Bolsonaro não efetuou a saída por postos regulares de fiscalização migratória.
Contexto político
O episódio gerou comparações com a conduta do ex-presidente Jair Bolsonaro, que viajou aos Estados Unidos em 2022 após não reconhecer publicamente o resultado eleitoral que deu vitória a Lula. Posteriormente, o ex-presidente retornou ao território nacional e foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Flávio Bolsonaro ainda não reconheceu formalmente a derrota nas urnas. Durante o dia da votação, declarou que solicitaria a anulação do pleito devido à prorrogação do horário de votação e, mais tarde, anunciou que pediria a cassação da chapa eleita junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em contrapartida, a direção do Partido Liberal (PL) confirmou na segunda-feira o reconhecimento do resultado eleitoral.
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