produção de camarões no RN. | Foto: Reprodução
Com previsão de alcançar 240 mil toneladas em 2026, setor busca ampliar o processamento industrial, agregar valor ao produto e recuperar espaço no mercado internacional; feira será realizada de 17 a 20 de novembro, em Natal
Publicado 19 de outubro de 2026 às 14:56
A produção brasileira de camarão cultivado deve alcançar 240 mil toneladas em 2026, mas o crescimento do setor ainda esbarra em desafios para ampliar as exportações e conquistar novos mercados internacionais. A necessidade de investimentos em processamento industrial, financiamento para custeio e agregação de valor estará entre os temas centrais da FENACAM’26 – Feira Nacional do Camarão, que chega à 22ª edição de 17 a 20 de novembro, no Centro de Convenções de Natal. O evento reunirá produtores, indústrias, fornecedores, pesquisadores e compradores para discutir caminhos que transformem o avanço da produção em novas oportunidades de negócios.
De acordo com dados da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), a produção nacional passou de 210 mil toneladas em 2024 para 225 mil toneladas em 2025, com previsão de atingir 240 mil toneladas neste ano.
Para Itamar Rocha, presidente da ABCC e da FENACAM, um dos fatores que explicam esse desempenho é o crescimento do consumo interno. Segundo ele, o consumo per capita de camarão no Brasil passou de 0,4 quilo em 2016 para 1,1 quilo em 2025, ampliando a demanda pelo produto no mercado nacional.
O desafio, agora, é diversificar os destinos comerciais e aumentar a participação brasileira no mercado externo. Apesar do avanço produtivo, o setor enfrenta obstáculos relacionados à falta de financiamento para custeio operacional e à insuficiência de indústrias habilitadas para processar e exportar o camarão cultivado brasileiro.
“A questão agora é criar as condições para transformar esse potencial em negócios internacionais. A FENACAM quer contribuir para aproximar a indústria brasileira dos compradores e mostrar ao mundo o que o Brasil produz”, afirma Itamar de Paiva Rocha, presidente da FENACAM.
Uma das prioridades defendidas pela ABCC é mudar o perfil de comercialização do camarão brasileiro. Atualmente, segundo Itamar Rocha, cerca de 75% do produto é comercializado fresco, enquanto 25% passa por processamento e recebe algum tipo de valor agregado. A meta é aproximar essa relação de 50% para cada segmento, ampliando a oferta de produtos processados.
A estratégia pode favorecer a distribuição para mercados mais distantes, aumentar a vida útil dos produtos e ampliar o alcance comercial da carcinicultura nacional. De acordo com o presidente da ABCC, cerca de 5.250 municípios brasileiros têm menos de 100 mil habitantes e, segundo sua avaliação, não são atendidos adequadamente pelo camarão fresco. O processamento, portanto, também pode abrir oportunidades no próprio mercado interno, ao facilitar o transporte e a distribuição para regiões distantes dos polos produtores.
No mercado internacional, o Brasil enfrenta concorrentes consolidados, como Equador, Índia e Vietnã. Para Itamar Rocha, uma das oportunidades está na competitividade do camarão brasileiro de pequeno e médio porte, segmento que, segundo ele, pode atender a uma parcela ampla dos consumidores mundiais.
A qualidade do produto nacional também integra a estratégia de expansão. O presidente da ABCC destaca a importância das boas práticas de manejo, do respeito ao meio ambiente e dos cuidados com os trabalhadores e os animais durante o cultivo e a despesca.
Ele cita o desempenho histórico do camarão brasileiro nos mercados dos Estados Unidos e da União Europeia como referência do potencial do setor, embora a retomada das exportações dependa da superação dos entraves financeiros e industriais.
Historicamente ligado à produção de camarão, o RN permanece entre os principais polos da carcinicultura brasileira. Segundo os números apresentados por Itamar Rocha, o estado produziu 43 mil toneladas em 2025, ocupando a segunda posição nacional, atrás do Ceará, que registrou 125 mil toneladas no mesmo período.
Para o dirigente, a interiorização da carcinicultura potiguar pode abrir novas frentes de crescimento. A proposta é ampliar a atividade para áreas do interior do estado, aproveitando recursos hídricos, infraestrutura disponível e fontes de energia renovável. A iniciativa também pode criar oportunidades para pequenos e médios produtores e contribuir para a geração de renda fora das áreas litorâneas.
O avanço, no entanto, depende de condições adequadas para a expansão sustentável da atividade, além de investimentos, acesso a crédito, tecnologia e canais de comercialização capazes de absorver o aumento da oferta.
Nesse cenário, a FENACAM 26 busca aproximar os diferentes elos da cadeia produtiva e estimular a troca de conhecimento, a inovação e a geração de negócios. A feira terá mais de 100 empresas expositoras, 200 estandes e 8 mil metros quadrados de área no Centro de Convenções de Natal.
A programação inclui o XXII Simpósio Internacional de Carcinicultura, o XIX Simpósio Internacional de Aquicultura e as XXII Sessões Técnicas e Científicas de Carcinicultura e Aquicultura. Estão previstos 48 palestrantes, incluindo especialistas internacionais, além da apresentação de aproximadamente 250 trabalhos técnico-científicos.
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Os debates abordarão temas como genética, sanidade, automação, boas práticas de cultivo, sustentabilidade, processamento industrial, agregação de valor e tendências de mercado. A expectativa é que a troca de experiências contribua para identificar soluções capazes de elevar a competitividade da produção brasileira e fortalecer as oportunidades comerciais do setor.
A feira também terá a Cozinha Show, realizada em parceria com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no RN (Abrasel-RN). De 18 a 20 de novembro, das 17h às 21h, serão realizadas degustações e preparações com produtos da aquicultura. A iniciativa busca aproximar produtores, indústria, gastronomia e consumidores, destacando possibilidades de utilização e valorização do camarão e de outros produtos cultivados.
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