Eduardo e Flávio Bolsonaro são citados em relatório da Polícia Federal | Foto: Reprodução
Mensagem apreendida no celular de Daniel Vorcaro registra pedido de encontro para tratar do filme “Dark Horse”; Eduardo nega ter conversado ou se reunido com o banqueiro
Publicado 13 de setembro de 2026 às 16:30
Uma mensagem apreendida pela Polícia Federal registra um pedido de reunião de Flávio e Eduardo Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro no mesmo dia em que Eduardo anunciou que permaneceria nos Estados Unidos. Segundo o relatório da PF, o encontro teria como assunto o filme “Dark Horse”, que recebeu recursos de milhões de dólares ligados ao Banco Master.
A mensagem foi enviada pelo publicitário Thiago Miranda a Vorcaro às 9h34 de 18 de março de 2025. “Flavio B e Eduardo querem marcar uma agenda com vc. Filme”, escreveu Miranda. Às 11h37, Eduardo publicou uma mensagem convocando seguidores para uma live em que anunciaria a decisão de permanecer nos Estados Unidos, conforme informações do Uol.

O relatório da PF não informa se Vorcaro respondeu ao pedido nem se a reunião aconteceu. Em nota, Eduardo afirmou que nunca conversou nem se reuniu com o banqueiro e negou qualquer relação entre sua permanência nos EUA e os recursos destinados ao filme. A equipe de Flávio não comentou.
A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas às movimentações financeiras ligadas ao filme “Dark Horse”. A PF também busca esclarecer se parte dos recursos teria sido usada para custear a permanência de Eduardo nos Estados Unidos.
Segundo o relatório, o primeiro repasse ligado ao filme ocorreu pouco mais de um mês antes do anúncio de Eduardo. Em 13 de fevereiro de 2025, foram enviados US$ 2 milhões. Em 24 de março, seis dias depois da mensagem sobre a reunião, outros dois repasses aparecem no relatório: US$ 2 milhões e US$ 1,66 milhão.

A PF identificou ainda outros quatro repasses de US$ 1,66 milhão ao longo de 2025, fora das datas previstas no contrato.
O relatório também registra uma conversa de 21 de março em que Eduardo teria dado orientações sobre a movimentação dos recursos nos Estados Unidos. Na mensagem, há referência à possibilidade de enviar a maior quantidade possível de valores pelo modelo utilizado e à disponibilidade de um gerente do fundo Havengate.
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No relatório, a Polícia Federal aponta a necessidade de esclarecer “a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais” dos valores. A PF também questiona o tamanho dos aportes, o fluxo das transferências, as tratativas envolvendo Eduardo e as cobranças feitas por Flávio sobre os repasses.
Flávio e Eduardo estão entre os investigados. O relatório foi divulgado por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
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