Dino autorizou PF contra aliado de Mendonça dias antes de ministro afastar chefe da corporação. | Foto: Gustavo Moreno/STF

Política

STF Dino autorizou operação contra aliado de Mendonça três dias antes de ministro afastar diretor da PF

Operação contra Cezinha de Madureira (PL) já estava autorizada quando Mendonça determinou afastamento de Andrei Rodrigues; deputado participou da articulação de encontro entre ministro e Vorcaro

por: NOVO Notícias

Publicado 14 de setembro de 2026 às 11:26

A operação da Polícia Federal que tem o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP) entre os principais alvos foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 5 de setembro. Três dias depois, em 8 de setembro, o ministro André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

A PF deflagrou nesta segunda-feira (14) a terceira fase da Operação Transparência, com quatro mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo. A investigação apura suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Filiado ao PL, Cezinha é pastor da Assembleia de Deus – Ministério de Madureira, em São Paulo, ligado ao bispo Samuel Ferreira, uma das principais lideranças do ministério no estado. Ele também é aliado de Mendonça e aparece em mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo informações do ICL Notícias, o deputado participou da articulação do encontro entre Vorcaro e Mendonça, realizado em São Paulo, em março de 2025.

Crise

A operação ocorreu em meio à crise envolvendo o comando da PF e o STF. Em 8 de setembro, Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. No dia seguinte, Dino determinou a recondução dos dois aos cargos. Ainda em 9 de setembro, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as decisões de Mendonça e Dino e manteve Rodrigues e Almada nos cargos.

Outro alvo da operação é a advogada Valéria Rodrigues Linhares, mulher de Cezinha. Em 25 de agosto, a PF apreendeu R$ 510 mil em espécie na bagagem de mão dela, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A defesa afirmou que o dinheiro tinha origem lícita e que apresentaria documentos para comprovar a procedência do valor.

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Segundo a PF, integrantes do grupo investigado teriam negociado com terceiros o pagamento de valores expressivos condicionado ao resultado de processos judiciais, sob a alegação de que poderiam influenciar decisões. Até a publicação, Cezinha ainda não havia se manifestado sobre a operação.

A Operação Transparência começou em dezembro de 2025, para investigar possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares.

Quem é Cezinha de Madureira

Alvo de operação da Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira (14), o deputado federal Antonio Cezar Correia Freire, o Cezinha de Madureira (PL-SP) é um influente parlamentar evangélico de São Paulo.

Amigo pessoal do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Cezinha era visto constantemente na garupa das motos do ex-presidente durante as chamadas ‘motociatas’, participando com ele inclusive de idas a jogos de futebol, na época que Jair ainda era presidente da República.

Bolsonaro em encontro com o deputado federal da bancada evangélica Cezinha de Madureira e o então indicado ao STF, André Mendonça, em 2021. | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Cezinha também foi o principal cabo eleitoral do ministro André Mendonça para a vaga de ministro do STF.

Na época da indicação de Mendonça para o cargo, o deputado percorreu os gabinetes dos senadores, pedindo voto favorável para o ex-advogado geral da União de Bolsonaro ser alçado ao cargo de ministro do STF.

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